Um policial militar, que não sei o nome, mas pareceu-me ser de comando, falou na Transamérica com a angústia de quem não sabe mais qual é a solução para a violência em dia de Atletiba. E como todos que são angustiados pela dúvida, adotou o comodismo, recorrendo outra vez à hipótese de Atletiba com uma torcida só, como se tudo fosse uma ferida incurável. É um truque para amenizar a situação.
Não é preciso ser especialista em segurança pública, para saber que o crime se expande onde as simples infrações não são reprimidas. E já não era o caso da Arena, por jogar uma bomba é uma infração grave. Se é tolerado jogar a primeira sem repressão, como ocorreu, joga-se a segunda, incentivando a terceira, a quarta, e tantas que se tenha, criando um temor mais grave do que um campo de guerra. Nas batalhas, ao contrário de um jogo de futebol, as granadas e os canhões são elementos previsíveis.
O que não se explica, é a razão pela qual a polícia não se postou no local, quando se jogou a primeira bomba. Ou a segunda, ou a terceira, ou todas as que se jogaram sem que ninguém fosse preso.
A hipótese do Atletiba de uma torcida só é um dos maiores absurdos, que se incentiva para limpar a barra da segurança pública. Esquece-se que a violência não é praticada pelo torcedor comum, mas por gangues que usam o jogo como mero pretexto, e o estádio como local adequado para a exposição de suas índoles criminosas. A vida nos ensina o que a psicologia doutrina: as razões para aderir a um grupo, e no caso a uma gangue, são indiferentes. Basta ter a índole para o crime, que o homem topa qualquer parada.
O que a segurança pública não pode, é tirar o fardo da responsabilidade. O Atletiba de uma torcida, não dará solução, porque as gangues irão brigar entre si, pois tudo é previamente combinado.
Infelizmente, por aqui, a polícia é a última saber.
De primeira: O meu repúdio à direção da Rádio Transamérica. Um caso tão grave e tão sério, como é o da violência em Atletiba, que estava sendo analisado com tanto brilhantismo por Cristian Toledo e Fernando Gomes, passou a ser objeto de brincadeira com o humor negro que a emissora insiste em usar no futebol.