Velha lição

Uma quarta-feira de contrastes. Aqui, por estar na boca do grupo de rebaixamento, o Coritiba joga contra o seu medo, contra a sua angústia, contra a sua fragilidade técnica e contra o Corinthians. Em Criciúma, por estar na boca da Libertadores, o Atlético, sem medo e sem angústia, joga apenas contra o Criciúma.

Bem por isso, é mais cômodo tratar do Furacão do que do Coxa.E para isso, lembro uma lição ensinada pelo Paulo César Carpegiani. Disse que para vencer um time preciso ter cinquenta por cento de tranquilidade. Sem ela não haverá técnica nem organização.

A antiga lição nunca será apanhada pela evolução do futebol como jogo.É aí surge a grande virtude do Furacão de Mancini: a certeza que é dotado de virtudes, lhe dá a tranquilidade para jogar. Afastando, assim, o medo de errar, erra menos e joga mais, ficando mais perto da vitória. É previsível, então, que o Atlético conquiste outro grande resultado em Criciúma, não obstante de que sem Manoel, Marcelo, Éderson, Everton e Léo haja sentido prever queda de rendimento.

Então, se a tranquilidade é a premissa de um bom jogo, pergunto: como irá reagir o Coritiba contra o Corinthians, diante de um público grandioso, que carrega uma dose de angústia maior que os jogadores?

Talvez mais perigoso do que o Corinthians seja o estado emocional dos jogadores, que pode não ser de intranquilidade, mas que está, com certeza, fora da normalidade. Não poder perder dá a um time uma carga de responsabilidade maior que as deficiências naturais que possa carregar. E aí erra muito. E quem erra assim, perde. se o Coritiba derrotar o seu medo, ganha do Corinthians.

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