Bem cedo, a caminho do trabalho, um torcedor me pergunta se a coluna, também, vai tirar férias. Só fui entender quando ele respondeu o meu por quê. É que o Atlético e o Coritiba entraram de férias, disse ele.

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Talvez, seja um dos custos que eu pago por ter criado um segmento específico no jornalismo. Sem o futebol caseiro, que nos dão valores esportivos internos mais preciosos que são os nossos clubes, e sem o Furacão em especial, parece que a vida fica um pouco sem graça.

E a seleção brasileira como tema não irá preencher esse vazio, perguntará o leitor? Pois, respondo que não, pois não se trata de um vazio no sentido de espaço. Isso é simples, pois “De uma América a outra consigo passar num segundo. Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo”, como canta em sua obra prima “Aquarela”, Toquinho.

O que eu quero dizer é que a seleção brasileira está esvaziada como instituição para preencher o vazio, que a ausência do clube de coração provoca. Como para a maioria dos brasileiros de bom senso, a seleção deixou de me ser cara. Quando somos obrigados a ouvir Carlos Alberto Parreira afirmar que “a CBF foi o Brasil que deu certo”, dá vontade de se entregar aos paraguaios.

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Não pense que a torcida que foi ontem ver os jogadores treinarem e que lotará hoje o Serra Dourada, em razão de um sentimento pelo Brasil, enquanto instituição do povo. O que a estimula é a curiosidade, que despertam alguns jogadores por serem celebridades, que todos os dias são jogados para dentro das nossas casas pelos comerciais de televisão, do que por serem ídolos.

Não sei o que seria de Nelson Rodrigues e Armando Nogueira tendo a seleção brasileira como tema nesta Copa. Será que o Brasil provocaria a inspiração que levou Nelson a escrever que “a seleção é a Pátria de chuteiras”? E Armando Nogueira eternizaria a sua obra com a lição “Se Pelé não tivesse nascido homem, teria nascido bola”?

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O que quero dizer é que a seleção brasileira não provoca inspiração ao cronista. E escrever no seco, sem sentimento, só dando opinião de movimentos táticos e citando estatísticas, não consigo.

Vou me esforçar, mas não garanto nada, para viver esse recesso sem Atlético e os coxas.