Variações

O desprezo da CBF pelos clubes no futebol brasileiro é escancarado pelas coincidências de datas. Hoje, enquanto a Seleção Brasileira joga o maior clássico mundial contra a Argentina, vão ser tocadas as Séries A e B do Campeonato Brasileiro.

O fato seria inusitado e condenável no passado. A Seleção Brasileira era a “pátria de chuteiras”, de Nelson Rodrigues, e não se submetia à individualidade da paixão pelo time do coração de cada torcedor. Mas se tornou tão comercial, e o seu uso por dirigentes, treinadores e empresários ficou tão ostensivo, que a pátria jogou fora as chuteiras. Então, vamos ao mundo que ainda nos provoca alegria e decepção.

Por aqui, o Paraná joga na Vila contra o Guaratinguetá, em uma situação diferente: ao invés de jogar com a ilusão de voltar à Primeira Divisão, joga com o desespero de somar pontos para sair do grupo do rebaixamento. A vitória não poderá ser considerada como o início de uma nova fase. Vencer o Guará, em casa, é uma obrigação, pois o adversário está, também, entre os últimos. E o mais grave de um novo fracasso será o ambiente de fracasso que pode repercutir no treinador Ricardinho, mesmo ele não tendo culpa.

O Atlético joga contra o primário CRB, em Maceió. E vai jogar, outra vez, sem Paulo Baier, que provoca a sua diferença em relação à maioria na Segunda Divisão. E vai jogar com uma crise enrustida, pois as diferenças entre o treinador Juan Carrasco e o gerente Sandro Orlandelli começam a ser conhecidas. Orlandelli contrata jogador do seu interesse, que não passa pela avaliação de Carrasco. É o caso do zagueiro Luiz Alberto, 34 anos, que há sete meses não joga. E, ao invés de preservar o treinador, que só trouxe benefícios ao clube, a diretoria incentiva os negócios do gerente.

No Rio de Janeiro, o Coritiba joga contra o Flamengo. Está aí um jogo bom para os Coxas se afirmarem no campeonato. Fez um primeiro tempo brilhante contra a Portuguesa e vai enfrentar um time carente de quase tudo. Ainda restam para o Flamengo, a torcida e a camisa, que hoje já não ganham mais jogo.

Robinho no meio-campo devolveu um pouco da mobilidade perdida sem Rafinha. Mas como a Portuguesa não é referência para medir uma evolução, o jogo contra o Flamengo pode dar uma noção exata do que esperar dos coxas.

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