Quando o ato de uma diretoria de clube popular concilia-se com circunstâncias objetivas, portanto, notórias, há coerência. E não existe nenhum procedimento coerente que não seja justo.
Mas é bom lembrá-las. A retração do futebol mundial alcançou em cheio o futebol brasileiro. Os clubes tiveram esvaziada a maior fonte de renda, que é a cessão de jogadores para o exterior, pelo preço que faziam ou entendiam ser razoável. Nenhum que foi negociado, alcançou 50% da cláusula de rescisão do contrato de trabalho. Ou se alcançou como Nilmar, e Keirrison, o grosso do dinheiro foi para o empresário, que agora é identificado com a soberba de investidor.
No entanto, involuntariamente ou não, o torcedor de forma geral despreza essas circunstâncias, mas que não podem ser ignoradas por uma diretoria que zela pelo clube. Ao contrário, o dirigente responsável é aquele que age com prudência, praticando atos pela coerência, mesmo que esses sejam carregados pelo caráter impopular.
Agora alcanço o ponto nuclear do tema. A diretoria do Atlético anunciou a majoração para 70 reais da mensalidade do sócio torcedor, que estava congelada em 50 reais.
Existem razões e razões. Aquelas são as dissertadas e que todos já conheciam. E por elas não se surpreenderam com o novo valor da mensalidade. Mas que existem razões que por ideologia e respeito, não podem ser ditas para não ser confundidas com razões pessoais.
A administração anterior antecipou receitas de televisão, o que implicou no fracionamento do valor final: uma parte vem, e a outra fica debitada na conta do clube. Antecipou-se a receita do dinheiro tomado na Caixa para a Arena, para satisfazer obrigações a jogadores e funcionários de dezembro. A nova etapa da Arena foi tirada do dinheiro do caixa diário. Houve realmente alguns motivos para estrangular o orçamento, mas houve muito mais motivos inúteis para praticar alguns gastos.
Não se engane o torcedor, que eventualmente tenha sentido um impacto com o aumento de R$ 20: pelos antecedentes ideológicos e empresariais, é possível presumir que haveria uma dobra no valor.
O valor de R$ 70 acabou ficando justo, sob todos os aspectos. Financeiro, porque adotando a média de 3 jogos por mês, o ingresso seria de 23 reais; e pessoal – e está aí núcleo do seu custo-benefício, porque como diz aquela publicidade do cartão de crédito, tem coisas que o dinheiro não compra: ver o Atlético no estádio mais bonito e confortável do Brasil.
De primeira: Amanhã tratarei do caso Marcelinho Paraíba, inclusive com a opinião de um grande coxa-branca.