Vai passar

O verso “a camisa rubro-negra só se veste por amor” pode acabar em uma versão esportiva da obra “Vai Passar”, de Chico Buarque. Entre as mudanças irreversíveis da Lei Pelé que deverão ser votadas e aprovadas até o final do ano, está a obrigatoriedade das associações de futebol transformarem-se em sociedades empresariais.

Bem por isso, Mário Celso Petraglia, o presidente oculto do Atlético, já encomendou estudos para transformar a natureza jurídica do clube em sociedade anônima. À princípio, seria na forma de sociedade fechada, na qual poucos acionistas dividem as ações que constituem o seu capital social. São empresas geralmente de famílias.

O doutor, ao contrário do que anunciou para sair de licença, está voando, contratando consultorias. A Ernst & Young, sua velha parceira, para a parte administrativa, e a Century, para o marketing e a comunicação, logo entrarão em campo. Já contratou a Hero para produzir e executar um novo site, cujo custo vem assustando o próprio mercado. Há quem garanta que o dinheiro a ser gasto dava para contratar um centroavante goleador.

O doutor quer tudo pronto para, promulgada a lei, imediatamente transformar o Furacão em sociedade empresarial. Bastando a aprovação dos conselheiros, que enfeitam o seu presépio, evitará questionamento, discussão e debates. Pronta a sociedade, não haveria eleição para a presidência em 2018.

Explica-se, aí, uma das motivações de fundo da implantação da biometria: quanto mais sócios renunciarem ao direito de uso das cadeiras, menos resistência haverá para a concretização das suas idéias. Esvaziado o quadro de sócios, cairá o último obstáculo para serem vendidas as ações nas tesouraria, porque sendo sociedade fechada, não precisará registrá-la na Comissão de Valores Mobiliários, não podendo vender as ações na Bolsa com ofertas públicas.

Eu disse que era uma boa notícia e confirmo. Essa é a consequência de um clube cuja oposição age por mensagens eletrônicas. Foi incapaz de reagir à expulsão de um atleticano grandioso e sério como Marcos Malucelli.

Petraglia não fará nada mais do que vem fazendo, com a diferença de assumir a condição formal de dono do clube, só com o argumento legal de que pagou pelas ações.

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