Uma vitória de Pablo

Quando vou começar a escrever, meu neto Leonardo, saindo da Baixada, emocionado, telefona-me: “E o Pablo?” Na pergunta, ele encerrou a resposta: Esse Pablo é um espetáculo. Esse meu neto (o outro é Francisco, 3 anos) tem 6 anos de idade. É uma idade da inocência em estado puro. No seu mundo, estou começando a desconfiar que até Nikão é um craque.

Mas seria só inocência, uma criança de 6 anos perguntar, “e o Pablo?”.
Pois, eu, que já passei da metade da régua, pergunto: “E o Pablo?” E vou além: “Por essas bandas, tem coisa igual?”

O Atlético ganhou do Caracas por 2 a 1 e segue em frente na Sul-Americana. Pelos números, parece ter sido um jogo apertado. O resultado foi, mas o jogo não.

O Furacão jogou encostado na consciência da sua superioridade técnica e do resultado (2×0) em Caracas. Se precisava ganhar, era só pela razão de respeito à torcida.

Quando precisou marcar, jogou com Pablo. Marcelo Cirino, vejam só, 1×0. Após sofrer o empate, por exigência moral, jogou com Pablo. Renan Lodi, 2×1. O passe de Pablo, parece ter saído de um quadro de Calderari, pintor e atleticano dos grandes. Quando Pablo saiu, o jogo acabou.

Confissão

Mário Celso Petraglia vem confessando que 2019 será o seu último ano no futebol. Depois, vai morar em Roma. O cartola tem certeza de que uma nova legislação, agora, específica para o futebol, vai autorizar os clubes transformarem-se em sociedades, negociar ações com estrangeiros, com todos os benefícios tributários da legislação atual. E, assim, irá fazer do Atlético uma sociedade anônima, e negociar 45% das suas ações com investidores estrangeiros.

Se a lei for aprovada, e se toda a negociação for a céu aberto e amplamente discutida pelos atleticanos com antecipação, e votada por um número mínimo de sócios, não há razão para não seguir em frente com a proposta de Petraglia.

Não bastam só a lei, o capital estrangeiro, a transparência, e aprovação popular. Há um uma importante questão: se Petraglia diz que vai para morar em Roma, e se dentro da administração atual da Baixada não há ninguém capaz, quem irá comandar na sociedade, os interesses do Furacão?

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