É do imortal de Nelson Rodrigues: “O futebol vive dos seus instantes dramáticos e um jogo só adquire grandeza quando oferece teatralidade autêntica. Pode ser uma pelada. Mas se há dramatismo, ela cresce, desmedidamente”.
Não há como afirmar que o Coritiba tenha ganho da Ponte Preta porque o seu jogo foi brilhante. E, digo até que se fosse um jogo normal, mais do que brilhante, teria sido soberbo.
Mas, é que não foi um jogo normal. Não foi um jogo jogado, foi um jogo sentido. Os mais de 30 mil coxas que, subsidiados, lotaram o Couto Pereira para homenagear a história e a memória de Krüger, ambientaram o jogo na emoção bruta, que é a emoção provocada pela saudade e pelo respeito.
Então, o que era para ser um jogo de futebol, foi transformado em um drama que não poderia ter nenhum vestígio de tragédia. No roteiro executado, só um tinha um final: a vitória das coxas. Talvez por isso, a direção teve a proteção divina: o máximo que o Coritiba passou foi o risco de um pênalti não marcado e do outro perdido pela Ponte.
Rodrigão fez de tudo: marcou dois gols, chutou uma bola na trave, deu chapéu e furou em bola.
Benefício
Quando o Athletico ganhou o título brasileiro de 2001, a renovação do treinador Geninho, a contratação em definitivo de Alex Mineiro, a permanência dos principais jogadores, exigiram um custo pesado para o clube. Foi, então, que ouvi de Petraglia que “o custo benefício de um título não compensa”.
Um dos motivos para explicar a falta de grandes conquistas do Furacão, foi a intransigência com esse, que na Baixada, se conceitua como princípio.
Presumo que o título da Sul-Americana tenha mudado princípios e conceitos de Petraglia. Foi descomunal a diferença entre o benefício e o custo da conquista da Sul-Americana.
Com um time de baixo custo, o Athletico ganhou um calendário milionário, subiu de nível como titular de direitos de televisão, mandou Pablo para o São Paulo por sete milhões de euros e tem propostas em milhões de libras por Bruno Guimarães e por Renan Lodi.
Escrevo isso para concluir que o atual time está tão bem estruturado, que recebendo um grande meia e um grande atacante, irá disputar com os ‘times de ponta’, um título nacional. Como faria bem o bi do Brasileiro ou a Copa do Brasil.
