A necessidade de se modernizar com a impressão profissional interveio nas administrações dos clubes de futebol. Entre outras funções que criou, e exigiu, foi a do advogado. Não aquele que defende o jogador nos tribunais esportivos, tampouco aqueles de Justiça Especial (Trabalho) ou da Justiça Comum. Esses – e neles me incluo – brotam milhares, quase diariamente, pela proliferação de faculdades de direito no Brasil.
O advogado que a administração interna do clube exige tem que ter uma formação extraordinária. Enquanto nós advogados comuns podemos nos limitar a ser expressivo em um ou outro ramo, o advogado de clube precisa ser completo.
Os fundamentos nucleares dos diversos ramos do direito são apenas base para lhe dar essa estrutura. Essa formação para ser alcançada, exige-lhe conhecer leis especiais de diversos países, normas de entidade de administração do futebol (Federações, Confederações e Fifa) que são renovadas intensamente, regulamentos, detalhes, que a cultura comum, às vezes, não consegue localizar.
E agora, vem um detalhe: a função é tão importante que exige espírito de renúncia, que só surge com o amor pelo clube. São poucos os advogados nas administrações de clubes do futebol brasileiro que têm essa formação. O mais completo deles trabalhou durante 14 anos no Atlético: Gil Justen Santana. Para isso, preferiu renunciar ao caminho que abriram e trilharam os seus familiares no campo do direito. A sua causa seria o Atlético.
Há quatro anos cometeu um pecado: provocado para um parecer sobre determinado assunto, escreveu o que entendia ser importante para defender o interesse do Atlético. Só que foi contra a vontade de um senhor chamado Mário Celso Petraglia. Entre os rancores e ódios que Petraglia vai criando e estimulando com o tempo, para dar um sentido à sua vida, estava o de demitir Gil. Depois de 14 anos e 8 meses, o grande advogado deixou o clube.
Se Rosseau escrevesse hoje o seu Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens, poderia dizer que não há mais razão para o homem ser diferente do animal. Todos seriam iguais. E aí, seu rival Voltaire teria mesmo que andar sobre quatro patas.