Uma grande vitória

Na Baixada, Coritiba 2 x 0 Atlético.

E não foi uma vitória cuja a explicação tenha que passar pelo acaso. Não foi uma vitória, também, que nós apaixonados para ter consolo, recorremos ao imponderável. Não foi uma vitória, tampouco, como num jogo de dados, alienada a sorte ou ao azar. E não foi, enfim, uma vitória oportunista do jogo por uma única bola.

Os coxas foram tão preparados técnica, tática, individual, física e emocionalmente para esse Atletiba, que sobraram. O placar de 2×0 foi construído sem traumas e sem correr nenhum risco. Foi a dose exata da sua supremacia.

No primeiro tempo, foi tão superior em razão da ordem tática, jogando no campo do Atlético, que já era para resolver o jogo, com os gols que Negueba não marcou. No segundo foi superior em razão da inteligência, com uma atuação coletiva irrepreensível. Consciente de que o Furacão estava obrigado a atacar e que iria atacar, fez-se de dominado, passando a jogar no contra-ataque. Fez o primeiro com Thiago de cabeça, e o segundo de pênalti com Juan, antes precisando passar pelo prejuízo do erro da arbitragem que não marcou o pênalti de Paulo André. Fez tudo naturalmente.

Mas não se pode dissociar as intensas virtudes do jogo dos coxas, com o jogo medíocre do Atlético. Destemperado taticamente, aumentou as suas carências individuais. Marcos Guilherme e Pablo quase me levaram à loucura. E tudo isso começou e terminou com a atuação do treinador Paulo Autuori. Errou no vestiário, quando escalou mal o meio sem Nikão, preferindo o futebol vazio de Pablo e do inacabado de Marcos Guilherme. Errou no campo, ao trocar Pará, que era o melhor do time, por Roberto, abrindo na esquerda o espaço que o Coritiba precisava para atacar. Continuou errando, ao trocar Vinícius por André Lima, quando quem tinha que sair era Pablo. Autuori dando prova de que não sabia o que estava acontecendo em campo, mandou preparar Anderson Lopes, esquecendo que havia esgotado as três substituições.

Como analista preciso ser justo: prefiro destacar a última imagem que ficou, que foi o grande jogo dos coxas. Mas não se pode destacá-lo, sem dar grifos a medíocre atuação do Furacão. Agora que estou terminando, obrigo-me a exaltar a sinceridade de Mário Celso Petraglia: “Nós não sabemos fazer futebol”. E com Autuori, esperem, irá piorar.

Para melhor em campo, estou entre Juan e Negueba.

Acho que vou divergir: embora mais discreto, Juan foi o mais inteligente.

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