Pode-se atribuir os mais diferentes valores a uma vitória. Quando o clube vive situações contraditórias, seu poder aposta no seu futuro imediato, essa vitória acaba sendo valorada por muito o que acontece em sua vida paralela.
Vejam só o caso do Atlético, o Furacão.
Enquanto a sua torcida vive uma saga de sofrimento, para afastar-se da zona de rebaixamento no Brasileiro, é dominada pelo orgulho de vê-lo eliminar o histórico Peñarol, no Centenário, em Montevidéu, pela Sul-Americana. Em jogo que até poderia perder pelos 2×0 da Baixada, ganhou com autoridade, 4×1.
E não foi uma vitória qualquer. Ganhou sem dar um único chutão, sem trancos para parar o jogo, e sem ficar acampado em sua área, rebatendo, à espera que o acaso o carregasse ao ataque.
É verdade que a partir da ascensão de Tiago Nunes ao comando técnico, sem as fantasias do “futebol alternativo”, o Furacão passou a ser racional. Passou, simplesmente, a ser um time de futebol. Mas era cedo, ainda, para jogar o que jogou, ontem à noite, no Centenário. Frente ao Penãrol, que lá é de concreto e invencível, apresentou uma versão de futebol que era improvável até um dia desses, como se fosse uma versão só sua.
É possível que alguém afirma que coisas estranhas estão acontecendo com esse Furacão. Como jogar um futebol exclusivo como jogou, com uma defesa serena, com os volantes Bruno e Lucho González adiantados, um lado esquerdo técnico e inteligente com Renan Lodi, Pablo e Raphael Veiga, criando situações de surpresas para o adversário.
O gol de Léo Pereira no começo, de inesperado, passou a ser o início de tudo. O segundo gol, de Marcinho, foi o resumo perfeito do jogo do time de Tiago Nunes: trocando passes em vertical, pelo lado esquerdo, Lodi e Pablo engoliram a zaga e a marcação uruguaia, e permitiram Marcinho entrasse livre na área e marcar.
O Furacão era tão soberbo, que o gol do Penãrol, de Rodríguez, passou quase despercebido. Imediatamente, veio o terceiro, agora de Nikão, em bela jogada, e depois o quarto de Bruno Guimarães. Nesse, no momento da finalização, tinham cinco jogadores atleticanos na área uruguaia.
Não sei se escolho Pablo ou Renan Lodi como o melhor.
Lodi, arrisco.
Agora o Atlético joga em Fortaleza para sair da zona de rebaixamento.
Só uma torcida como a sua para suportar tantas variações de sentimentos.