A identidade Furacão, embora mais antiga (1949), está para o Atlético como a de coxa-branca está para o Coritiba. Incorporadas pela história como patrimônio de cada clube.

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O termo coxa-branca surgiu em 1968, em uma declaração de Jofre Cabral e Silva, então presidente do Atlético. Era véspera de Atletiba quando Jofre bradou pela imprensa: “Iremos lá em cima ganhar daqueles coxas-brancas!”. A torcida do Coritiba assimilou o termo sem a ironia do presidente atleticano, ratificou-o em razão da origem alemã e o incorporou à vida do clube. Tornou-se um nome, de caráter patrimonial.

Só que esse nome não pertence mais à instituição, portanto, foi tirado da própria torcida. Um conselheiro do Coritiba, de nome Sedu, se apresentou no Instituto Nacional de Propriedade Industrial como o titular do nome coxa-branca.

Não entro no mérito não porque se trata de uma questão jurídica complexa, ao contrário, é simples. O nome está incorporado à história do Coritiba, tornando-se de domínio da torcida coxa-branca, portanto, de domínio público. A questão está no comportamento ético do conselheiro. Não existe patrimônio ou valor maior de qualquer ser do que o nome.

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Mas quem adquirir o direito sobre o uso de alguma coisa, mesmo de forma precária, não está, em tese, impedido de proibir o seu exercício.

Nada impede, por exemplo, o titular do “coxa-branca”, cometer o desatino de proibir a Império de gritar “coxa, coxa, coxa”.

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Outro escândalo

O técnico Ivo Wortmann ainda não se convenceu que nesta fase do campeonato ser primeiro é melhor do que ser quarto. Foi além: admite que para o Coritiba jogar no Couto Pereira contra o primeiro e o segundo, é mais interessante. Para isso tem que ser quarto, obrigando-se, portanto, a ter resultados de derrotas voluntárias.

A posição de Wortmann pode contrariar a ética, mas não contraria a lei, criada pela interpretação casuística da Federação Paranaense de Futebol e do Tribunal de Justiça Desportiva. Transformaram o regulamento do campeonato em um folhetim de pôquer e truco, cuja vitória é quase sempre indissociável do blefe, que em linguagem jurídica significa fraude. Nem nos tempos de Onaireves Moura um time teve a conveniência da derrota presente para um ganho futuro.

Não censurem o Coritiba, ou qualquer outra associação, se vier a perder voluntariamente alguns pontos. Estará apenas seguindo a regra da entidade de Hélio Cury e Amilton Stival, esse o grande intérprete do regulamento.