Um dia sem mexicanos

Como seria bom que os belgas jogassem como os mexicanos!

Esses correm, pensando que jogam; apressam a passada, pensando que é velocidade; pretensiosos em resolver tudo em 30 minutos, esquecem que o jogo tem 90 minutos. Não foi de graça que os estáticos suecos já haviam lhe ofertados um clássico 3×0, quase eliminando-os.

Não quero com isso reduzir a bela vitória do Brasil, resolvida sem traumas por 2×0. E nem posso, pois a partir das oitavas de final, os elementos mais significativos de um jogo de beleza de Copla do Mundo são o resultado (derrota ou vitória), e a consequência (passou ou não).

No futebol atual, em que prevalece o fundamentalismo financeiro, acabou o romantismo preservado pelas lembranças das passadas gerações, do futebol da “Máquina húngara” de Puskas, em 1954, na Suíça; do futebol total da “Laranja Mecânica” de Johan Cruyff, da Holanda, em 1974, na Alemanha; e do futebol arte do Brasil de Zico, em 1982, na Espanha.

E é exatamente essa Copa de resultados que exige uma análise mais completa do Brasil de Samara, não podendo limitar-se ao que jogou contra o México. É preciso ir além: tem que dizer se o que jogou alcançou o ponto certo e definitivo para enfrentar a Bélgica, que está provocando encantos na Rússia com seus filhos nascidos nos tempos de Euro.

Mas qualquer análise do jogo do Brasil, por coerência de análise do jogo de Samara, passa pela Bélgica.
Afinal, quem é essa Bélgica?

É essa dos filhos do Euro. Era dominada e perdia para um incrível Japão por 2×0. E aí, com um sentimento de culpa dos sofridos, e de desprezo ao fracasso, resolveu jogar. E os belgas jogaram como uma seleção não tinha jogado nessa Copa do Mundo. Ganhou por 3×2.

O Brasil foi belo contra o México.

Um dia sem mexicanos, como o filme de Sergio Arau, pode não ser boa lembrança para os brasileiros.

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