Não gosto de automobilismo por ser um esporte que reduz a atividade humana como fator único de decisão, tornando-o submisso à máquina, dela ficando dependente. Descartei-o definitivamente como programa quando Ayrton Senna foi a óbito. E muito mais porque não via Senna como ídolo por ser ganhador de títulos, mas por ser ídolo em razão do exemplo mais bem acabado que o esporte brasileiro ofereceu para a juventude.
Não perdi tempo na vida aprendendo sobre máquinas. Assim e por isso, aprendi coisas mais difíceis. Sobre a alma humana, em especial, cujas lições estão nos sonhos e nas palavras. Talvez, se o tricampeão Nelson Piquet se preocupasse com outras coisas na vida, exercitar a obrigação de respeito aos outros, não estaria vivendo o drama interior que dinheiro nenhum irá reparar.
Certa vez, em 1988, em entrevista à revista Playboy, Nelson Piquet, cheio de rancor e desprezo, colocou em dúvida o comportamento pessoal de Senna. O que é produzido pelo rancor não é verdadeiro. Agora, 24 anos depois, o ex-piloto se obriga a enfrentar uma crise que denuncia desvio de comportamento do filho e prática de extorsão dele próprio.
Pois, ontem, Briatore, da Renault, respondendo à denúncia de ter arranjado a vitória de Alonso em Cingapura, insinuou que Nelsinho Piquet tinha uma relação com um homem mais velho na Inglaterra. E mais: que Nelson Piquet, pai do piloto, teria pedido para o dirigente interceder e acabar com o suposto relacionamento. Disse Briatore à rádio Jovem Pan: “Nelsinho é um garoto mimado, que sempre correu com seu time. Quando chegou a uma competição de verdade, perdeu a cabeça. Ele me acusou de ter rompido uma relação com um amigo. Quem me pediu isso foi seu pai (Nelson Piquet). Nelsinho vivia com este senhor. O pai estava preocupado com a relação que seu filho tinha com ele. Fiz com que ele se mudasse de Oxford a Londres para mantê-lo sob controle”.
Piquet, correndo sozinho, bateu na curva.