Último valor

Um dia desses, um amigo me procurou para poupar de críticas ao senhor Tataio Bettega, presidente do Conselho Deliberativo do Atlético. Narrou-me alguns motivos, fiquei sensível e respondi: “Só espero que Tataio não perca a dignidade”.

Mas quando um homem, em razão da sua fraqueza, torna-se vulnerável ao ponto de dar a sua dignidade para que terceiro a use como instrumento para a realização do ódio pessoal, é que perdeu tudo.

Bettega, como presidente do Conselho Deliberativo, assinou a conclusão da Câmara de Ética, excluindo (entenda-se expulsando) do Atlético, o ex-presidente Marcos Malucelli, de ideal atleticano, caráter e conduta pessoais irrepreensíveis. A causa é a de que Marcos teria dado prejuízo ao clube no caso Morro Garcia. Bettega entregou os valores que lhe restavam para Petraglia usá-los contra Marcos. Responsabilizar um idealista como Marcos Malucelli por eventual erro na contratação de um jogador é um ato odioso. Dizer que a contratação de Morro Garcia foi um erro que nunca ninguém cometeu, é ir contra a própria história do futebol.

Mário Celso Petraglia é o exemplo clássico para se ter uma referência nesses erros. Em janeiro de 2013, o jornalista André Pugliesi, da Gazeta do Povo, na matéria “Operação Uruguai”, fez uma dissertação dos negócios que Petraglia fez em nome do Atlético, relativos à venda de Alberto e Lucas, há 15 anos atrás. Os números citados provaram que os negócios comandados por Petraglia deram naquela época, um prejuízo de 60 milhões de reais ao clube.

Usando como causa essa matéria, Petraglia não conseguiu provar nos autos nº 00152495020128160001, na 22ª Vara Civel, que os fatos da “Operação Uruguai” não eram verdadeiros. A sentença da juíza Camila Maia Almeida foi julgada improcedente porque Petraglia não desconstituiu os documentos que ampararam a matéria. Bem resumida: a sentença interpretada sob qualquer aspecto autoriza a conclusão que Petraglia agiu contra os interesses do Atlético.

A pergunta é: Tataio Bettega usaria a sua dignidade para determinar a Câmara de Ética a investigar Petraglia diante desses fatos provados e reconhecidos por uma sentença? Ou a dignidade, como componente da personalidade do homem, não é valor que deve ser mostrado de acordo com o caso?

Se Bettega tem coragem de se manter digno, deveria reconsiderar a ratificação da decisão da Câmara de Ética. Assim salvaria aquele valor, que o amigo comum disse que era o que restava: a dignidade.

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