Não existe nada mais nobre do que um gol no último minuto. Se o gol rende a liderança, então é mais do que um gol. Confunde-se com a própria vida. É que no último minuto, quando o time já perdeu um punhado de gols, só resta a ilusão. De resto, tudo parece que está perdido: as pernas, o fôlego e até a última esperança. O gol, então, nos paralisa, e o grito sai sufocado parecendo impregnado de dor. Se esse gol no último minuto é um gol do Atlético, e que por ele o Atlético volta à liderança, então, se lá o que é? O que é?
O Atlético venceu o Fluminense no Maracanã por dois a um. Foi a sua vitória mais espetacular neste campeonato. Não porque jogou bem, mas porque venceu como tem que vencer quem disputa o título: perde gols, insiste para corrigir os erros, voltar a perder gol, mas não desiste. Insiste tanto com o querer da vitória, que faz do gol o limite do último minuto.
Foi um jogo de fazer sofrer. Não que o Atlético jogasse mal, mas pelo que jogava já era o bastante para golear o paupérrimo Fluminense. Então era inconcebível não ganhar. E no primeiro tempo perdeu dois gols com Washington e Igor, que foi castigo no começo do tempo final com o gol carioca de Antonio Carlos. E, depois continuou num jogo de perda.
Mas, mostrando que não há nada mais forte do que a coerência, Levir se corrigiu e corrigiu o Atlético. Com Raulen na direita, Fernandinho empurrou Washington e Denis Marques para o ataque, tirando-os detrás da linha da bola, e empurrando o Furacão foi para dentro da área do Fluminense. O gol de Washington que empatou o jogo, já foi conseqüência da mudança, que teve como corolário o fato extraordinário. Washington, sempre ele, mostrou que os corações atleticanos é quem estão em desequilíbrio: o seu foi generoso, paciente e inteligente para induzi-lo a dominar a bola no último minuto, olhar como se ambientava a área tricolor, para dar de bandeja (elevação) para o recém antigo lateral Fernandinho, que na risca do gol empurrou a bola para dentro, e devolveu o Atlético à liderança.
Fantástico
Dirão que o Paraná teve sorte na vitória sobre o Grêmio, 1×0.
Não é verdade. O Paraná teve Flávio, o fantástico Flávio, o eletrizante Flávio, que com defesas que se confundiram com milagres, parou o time gaúcho.
A partir de Flávio, tudo era possível para o Paraná, menos perder. Então, o gol de Vicente, mesmo sendo no final e com a concorrência direta de Tavarelli, deu a solução lógica que o Paraná procurava para respirar neste campeonato.