Última vez

Egoístas, transformamos o goleiro em refém de nossa paixão. Às vezes, desprezamos o fato de que ele carrega como qualquer um de nós, os limites da condição humana. Bem por isso uma grande defesa, que está mais no campo do impossível, ganha o adjetivo de milagre.

Então, pergunto: as defesas que Weverton, goleiro do Atlético, fez no Mineirão contra o Cruzeiro foram milagres? Se for esse o tratamento dado, estaremos reduzindo Weverton, jogando-o no lugar comum. É que milagre é próprio do goleiro de jornadas comuns e não de goleiros excepcionais.

Para saber se um goleiro é excepcional não pergunte quais foram as suas grandes defesas. Pergunte qual foi a última vez que ele falhou. Não é a falha que imprimida pelo nosso ponto de vista de torcedor, que às vezes, é viciado pela paixão. Mas a falha primária, que é aquela que naturalmente e por obrigação poderia ser evitada. Não é, por exemplo, a do lance do gol da Ponte Preta, em Campinas, porque ficou a dúvida em razão do choque com um zagueiro. Então pense, repense e vá fundo nas lembranças: qual foi a última vez que Weverton falhou?
É isso que eu quero dizer: a grande virtude de Weverton não está nas grandes defesas, porque essas se originam dos atributos da condição natural de goleiro, mas está na regra de não deixar lembranças de falhas primárias.

Independência

Como é comovente ver um profissional independente, que não aliena os seus princípios e as suas ideias ao medo do revanchismo. São raros no futebol brasileiro, profissionais como Paulo Autuori, treinador do Atlético Paranaense. Mas repito o que escrevi: ao criticar o calendário, Autuori teria que ir além da censura à CBF, porque essa nada mais é do que uma despachante dos clubes e da televisão. Agora, mesmo, a Primeira Liga resolveu disputar o torneio com dezesseis clubes em 2017. Autuori deveria na próxima crítica definir essa relação como promíscua: clubes, televisão e CBF.

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