Sem saber o que passa no sentimento dos outros, posso presumir como ficou o sentimento do torcedor atleticano: confuso e inseguro. Até um dia desses tinha o anárquico e fujão Lothar Matthäus como motivo de orgulho e esperança; agora, friamente, é comunicado que o novo técnico é Givanildo, cuja história – bela, aliás, foi produzida no Nordeste, com sacrifício, pão e água.
Talvez o torcedor atleticano teve um choque. Desapareceu do quadro a figura mística de Matthäus, e entra a enigmática de Givanildo, cuja juventude atleticana base maior da torcida, nunca ouviu falar. Com certeza a troca, mais do que uma confusão no sentimento, pode parecer uma contradição. Se Matthäus veio para um projeto de um ano para internacionalizar a marca Atlético, por que esta opção por Givanildo?
Não é por esse ângulo que deve ser analisado o fato, mas por um outro, aliás, o único verdadeiro: Matthäus nunca foi um projeto pensado, trabalhado e executado com consciência. Sua vinda foi circunstancial e imprevista. Se fosse um projeto pensado, a rescisão unilateral como foi, teria que ser condicionada a um ônus. Não seria tão fácil viajar na calada da noite, para, depois, estando bem longe, mandar avisar que não voltaria. Quando a obrigação de um profissional é apenas um evento, não se pode dizer que houve um projeto. Aqui abro um parêntesis: está na hora de alguns badalados projetos do Atlético terem meio e fim.
O inicio está muito longo.
Fecho o parênteses.
Não há motivo para o torcedor atleticano ficar confuso e inseguro. Não conheço Givanildo como treinador, mas já sei que se trata de um homem sério, um técnico com autoridade pessoal e sabedor de futebol. O fato de ter uma história mais humilde da de Matthäus, não o torna pequeno; o fato de ter vindo de Recife para o lugar de Matthäus, que é alemão e mora em Budapeste, não o torna menos importante. Se será feliz no Atlético, é uma situação inerente ao futebol, e principalmente ao Atlético. Nos últimos anos, independente de origem e da história, poucos foram felizes.
Não houve troca.
Matthäus era estrela. Soberba, pródiga, anárquica e irresponsável. Givanildo é um técnico. E um time precisa de um técnico.