Triste vitória

?Gastei tudo que não tinha
Sou mais velho do que sou.
A ilusão, que me mantinha,
Só no palco era rainha:
Despiu-se, e o reino acabou?
(Fernando Pessoa)

Não existe nada mais triste do que um fracasso final com a ilusão de uma vitória. É a ilusão desvanecida, trânsito para a desilusão. Maldoso como a derrota, é o sentimento de que em um dado momento era possível acabar com a ilusão mentida.

Foi comovente o final do drama dos coxas. O último ato foi ambientado no clima nobre, embora ilusório, da vitória sobre o poderoso Inter (1 a 0); mas foi arrematado com a combinação dos sentimentos da decepção e do amor por uma causa. Daí, aquela explosão nas arquibancadas do Couto Pereira, detonada por um canto estropiado e por lágrimas sentidas. Uma ardilosa mecânica de sentimentos, que só a dor da perda no futebol, e a dor da fome provocam no Brasil.

Parecendo uma manifestação bíblica, se fez o que parecia estar escrito: os coxas foram rebaixados para a segunda divisão nacional.

A dor sentida, talvez, não esteja no fato da queda em si, que vista sob o lado da razão, foi lógica porque era grande o risco pela pequenez do time. Com certeza dor, também, não está nas consequências da queda, entre elas deixar o Maracanã e ir jogar em Coxipó da Ponte, a novidade da segundona. A dor sentida está na ironia rival, que nas extravagâncias e mistérios do futebol, se manifesta de todas as formas. Nestas horas, não existe nada mais irônico do que o silêncio rival. Os seus foguetes, talvez. Nós, todos torcedores apaixonados

somos assim, absolutamente egoístas: preferimos exibir o valor maltratado, e esconder o orgulho próprio.

Não pense que o Coritiba foi empurrado para a desmoralização. Nem lhe foi dada uma sentença de morte. A verdade nem sempre desmoraliza ou mata, mesmo que os fatos pretéritos já lhe tenham dado contornos definitivos, ou mesmo quando chega atrasada como forma de surpresa.

A partir de agora, não é o Coritiba como time de futebol que está provocado por desafios. Mas, o Coritiba institucionalmente grandioso, dono da segunda torcida do Estado.

O desafio é mostrar se caiu um grande clube ou um simples time.

Se caiu um grande clube, então, terá valido a pena o canto e o choro de ontem.

O que seu comando, seja com Giovani ou Fontoura, deve ter consciência, é que lágrimas de torcedor também acabam.

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