Triste consolo

Foto: Albari Rosa

Na Baixada, pela Libertadores, Athletico 0x1 Boca Juniors.

Por ser a vitória a única solução que oferece, o futebol não dá espaço para consolo. Mas, se fosse possível, os 34 mil atleticanos que foram ver o jogo teriam ido para casa sem que a derrota apertasse muito: o Boca Juniors teve a consciência que exigiam as características de um jogo no sistema eliminatório de Libertadores.

É que, resignado, amparou a sua defesa com três volantes. Humilde, fechou-se para ser compacto, e para jogar no contra-ataque.

Ao contrário, o Athletico confundiu a confiança com um pouco de soberba. Daí, perdendo a consciência de seus limites técnicos, desprezou que a sua virtude maior é a disciplina tática. Querendo ser acadêmico, ficou espalhado em campo, cheio de buracos, com Lucho González sem função prática, e Bruno Guimarães tímido pelo cartão amarelo na primeira jogada, jogando tudo nas costas de Nikão.

Não se pode querer jogar bonito em uma Libertadores, contra o Boca, com Márcio Azevedo, Pedro Henrique e os atacantes Rony e Marco Ruben, que só correm. Muito menos jogar com dez, porque com Cirino não dá para contar como mais um.

Por essas diferenças, se o atacante Ábila tivesse um pouco mais de qualidade para arrematar ao gol, o Boca já teria resolvido o jogo no primeiro tempo.

Se houve um bom jogo técnico na etapa inicial, por conveniência, o Boca mudou o roteiro no segundo tempo. Para picotá-lo, passou a reiterar as faltas no meio campo. O Athletico até que conseguiu se acomodar um pouco. Mas não adiantou ter a bola e o espaço, se um veterano como Lucho não se achava em campo, e se o ataque tinha que passar por Rony e Azevedo, na esquerda, Marcelo Cirino e Jonathan, na direita.

E se não fosse o bastante, o treinador Tiago Nunes mostrou que também erra. Quando o time estava ganhando equilíbrio, tirou Nikão, que era o seu melhor jogador, para entrar Bruno Nazário. Quem teria que sair era Marcelo Cirino.

Ao contrário, as substituições do Boca – em especial, a que colocou Tévez – o devolveram para o campo de ataque. Foi, então, que Mac Allister, pela meia-esquerda, sem marcação, chutou forte, a bola desviou no fraco Pedro Henrique e venceu o goleiro Santos.

O Furacão, que já estava em um estado de angústia, foi ao estado de pânico. Bem por isso, o experiente Marco Ruben fez o que não costuma fazer: no último minuto, perdeu um pênalti cometido sobre Rony.

Pior que o pênalti perdido foi o gol do Boca. Aquele marcado, valeria um gol; o dos argentinos valeu por dois.

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