Tricolores

Acusam-me que eu desprezo o Paraná não o tratando como tema. E quando escrevo só faço de suas coisas ruins, ignorando as boas. É meia verdade: escrevo pouco porque Atlético e Coritiba obrigam-nos a absorver quase todas as análises, em razão do seu domínio popular. Não ignoro as coisas boas do Paraná. O que eu faço é ser prudente, guardando-as na reserva.

Explico. O Paraná provocou tantas frustrações em sua torcida, que não autoriza correr o risco de criar uma nova ilusão. Todos os anos há um suposto projeto de volta à Primeira Divisão, que logo se transforma em um novo engano. Estou convencido de que a atual tendência de volta é mais objetiva dos anos anteriores. Há um técnico, o jovem Dado Cavalcanti, que tem uma virtude imprescindível para a função, que é a capacidade de observar erros. O grande técnico é aquele que descobre os erros e para isso precisa ser inteligente. Para observar virtudes não precisa pensar, basta olhar. Há um time de cobras criadas, com jeito e forma para a Segunda Divisão.

Então, se dependesse de Dado e desse time, o Paraná seria aposta certa para voltar à elite. Mas o problema é que depende de um fator externo, que sempre o clube enfrenta com atitudes improvisadas, que é o pagamento de salário. O que eu quero dizer é o seguinte: o Paraná só não volta se a diretoria não cumprir com as obrigações. Bem por isso, que eu sempre, em relação ao Paraná, guardo uma opinião na reserva.

Teorias

Agora que o Atlético voltou a ser o dono da cidade, não faltam teorias para explicar o seu excepcional momento técnico. Todas, por mais fundamentos que tenham, não sobrevivem a uma única verdade: antes o Furacão era escalado por muitos. Drubscky, coitado, tinha que ouvir as cornetagens de Lopes, Petraglia e Alberto. Com Mancini só um escala: Mancini. Os e-mails sugerindo a escalação vão direto para o lixo. Arrumou o sistema de defesa e de marcação e deixou o ataque continuar fazendo gols, que já fazia com Drubscky. Pronto.

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