Tratamento

Já não sei mais como tratar Paulo Baier.

Se o trato de um grande jogador reduzo-o, tirando-lhe a grandeza; se o trato de craque, torno-o vulgar, porque craque nesse futebol de hoje pode ser qualquer um, dependendo do negócio.

Poderia chamá-lo de senhor, mas não estamos na Inglaterra. Lá é um vocativo respeitoso como aqui, mas adotado, também, como título nobre, que significa cavalheiro, Sir

Mas estamos no Brasil, e em especial, no futebol brasileiro, que deforma tantos conceitos, que o tratamento de senhor pode ser confundido como veterano, aquele atleta em final de carreira. Gostaria de ser um pouco mais culto para dar o tratamento que Paulo Baier merece, sem riscos de equívocos ou confusão de conceitos.

Ontem na Baixada, o Atlético ganhou de 3 a 0 do Santo André.

É um placar clássico, que significa, sob qualquer aspecto que for analisado, individual, tático e físico, superioridade absoluta. Mas não seria assim se não fosse Paulo Baier.

Veja só: no aperto no início de jogo, ele cobrou uma falta jogando a bola no canto do goleiro, mas sem chance para a defesa. Logo depois, deu um passe para o menino Alex Sandro, originando o lance para o segundo gol. E sempre comandou um Atlético que voltou a ser brilhante em casa, fazendo a Baixada ser resgatada como valor de decisão.

Nem precisava que parte da torcida fosse insensível querendo dar luz à vitória com sinalizadores.

A luz de Baier bastava, mesmo que a essa altura já estivesse iluminando os corações atleticanos, que finalmente ganharam um conforto de números.

Olímpico

Quando o Atlético perdeu para o Palmeiras, no Parque Antártica, atribuiu-se a derrota ao fantástico jogo de Marcos, o goleiro. Mas, perdeu e a injustiça não altera a ordem das coisas.

Pois, ontem, no Olímpico ocorreu o mesmo fato com o Coritiba. Dominou o Grêmio, que só não foi constrangido com uma derrota, porque seu goleiro Vitor praticou defesas, que um goleiro simplesmente bom, não faria. Mas, perdeu, com uma diferença: a derrota coincidiu com a vitória do Atlético sobre o Santo André, que resolveu a vida de todos.

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