Um dia desses, confesso que fiquei apavorado lendo a Tribuna do Paraná e a Gazeta do Povo: as matérias centrais noticiavam as ameaças das torcidas organizadas do Coritiba e do Paraná. Aquela exigindo a renúncia de dirigentes, e essa anunciando que vai tomar o poder. Não é de hoje: abrem-se amplos espaços e dá-se tamanha importância aos chefes desses grupos, transformando essa proposta explícita de violência em matérias centrais.
Ao invés da notícia ficar no simples plano de informação, que é o objetivo do meio de comunicação, involuntariamente passa a concorrer como estímulo à movimentos irracionais de arquibancada. Os chefes desses grupos recebem tratamentos e aparecem nos jornais como se deles dependessem a vida do clube. E daí, por esse tratamento vip, gabam-se de serem notícia. E daí, por essa intolerável promoção, sentem-se autorizados a traçar e executar planos, que provocam temor e danos dentro de um estádio de futebol.
A notícia poderia ser dada de outra forma. Como ameaça de violência, exigindo ações preventivas da polícia. Não pode é imprimir o fundo esportivo, como se essas organizações fossem de idealistas carregados de propostas sadias, como valores imprescindíveis aos clubes, esses sim valores de todos nós.
A mídia deveria é proteger os clubes dessas organizações. Os dirigentes em geral são fracos, se conformando a fazer acertos às escondidas para manterem-se no cargo.
Intervenção
A reunião que decidiu pela intervenção no comando do futebol do Coritiba ocorreu no escritório do conselheiro José Luiz Lins e Souza. Nela, foi decidida a reunião dos conselheiros para formar uma comissão que fiscalize a atuação da diretoria. No futebol não se fiscaliza. Ele exige solução. O que haverá é intervenção, alcançando todos aqueles dirigentes que compõem o G-9. O presidente da comissão será o interventor do clube.