Não sei o que será do futuro porque muito ainda tem para se jogar. Partidas e pontos serão ganhos e perdidos. Mas não sejamos humildes com a grande verdade de todos os domingos: o Atlético está com pinta de campeão. Sem fantasia e sem paixão. Está igual ao Santos com seus 58 pontos ganhos, mas com uma diferença importante para o futuro: ganha e convence. Em alguns momentos parece ser invencível.

No jogo de ontem no Mineirão, o Atlético superou a si próprio submetendo o poderoso Cruzeiro à humilhação. Ganhou de quatro a dois a partir de um jogo absolutamente inteligente: bem balanceado, chegou até ser metódico ao trocar a velocidade pela circulação da bola. Dono de si, e como deve ser todo aquele que joga para ser campeão, absorveu como natural o gol que sofreu de Guilherme. E é aí que um time mostra que tem pinta de campeão: reage ao gol com maturidade. Com autoridade, ainda no primeiro tempo empatou com gol de Washington. Bem antes havia perdido três gols.

No segundo tempo deu um show de bola e de tática. Enfrentando um time com dez (Sorin foi expulso) jogou pelos lados. Fez de Dagoberto um peão: ora pela direita, ora pela esquerda sempre com Jádson para fazer o 1-2. Escancarado, o Cruzeiro viu Dagoberto fazer estragos. Criou a jogada pela direita para Jádson marcar, a do outro pênalti pela esquerda que Washington converteu e abriu espaço no meio para Ivan fazer mais um.

Dagoberto desequilibrou, mas ninguém jogou tanto como Jádson.

Como está jogando esse menino. Dirão que é um exagero e que é coisa de fanático em final de jornada. Nenhum pouco. Sem medo de errar, digo que não existe no atual futebol brasileiro quem esteja jogando igual a Jádson. A colocação para ter a bola; de posse da bola, a visão para criar a jogada pelo lançamento a curta, média e longa distância, ou o preenchimento no espaço para atrair um companheiro e fazer tabela.

Domingo é contra o Flamengo.

Ver este Atlético jogar já deixou de ser uma mera questão de paixão. É uma obrigação para quem gosta de ver o futebol como uma arte.

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