Da carta renúncia de José Cid Campelo Filho, à vice-presidência do Conselho Deliberativo do Atlético, cito a passagem mais importante: “Mas aqui tenho o dever de renunciar, pois não se trata do bom combate. Não posso participar da agremiação que se formou dentro do Atlético. É verdade que são poucos os seus integrantes, mas não consegui derrotá-los”.
A expressão agremiação é posta objetivamente como uma associação de pessoas. Transportando-a para os fatos pretéritos, que compuseram as denúncias, tem-se que os objetivos dessa agremiação não se limitam ao benefício do Atlético.
Na carta, ainda, Cid Campelo Filho se defende: “Traidor, portanto, não sou”. E não é, escrevo eu. Ao contrário, se nesse processo há alguém que está ileso de qualquer responsabilidade, é exatamente Campelo porque denunciou fatos, que estavam sendo escondidos por um falso ideal. Campelo nada mais fez do que denunciar um segredo de polichinelo: tudo mundo sabia, mas ninguém queria investigar e denunciar. E, a maior prova de que os fatos que denunciou são verdadeiros, é que a reprovação que recebeu não foi além de “traidor”, e assim mesmo vindo apenas dos “traídos”, e ainda assim, entre quatro paredes de um hotel. Traidor não é fato, é subjetivo, depende do ponto de vista de cada um. Contra os fatos denunciados, nenhuma defesa pública, nenhum argumento que afastasse a perturbação moral dos atos, silêncio que consente. Não há traição e não há traidor quando se quer proteger um valor de vida, como é o clube do coração.
De primeira
Os jogadores do Paraná estão prestes a entrar para a história. Conseguem treinar, jogar e ganhar indo para o terceiro mês sem receberem regularmente os seus salários. Era assim no tempo do amadorismo puro. Já há no clube quem sugira procurar o Atlético e encaminhar proposta para locação da Vila Capanema para o próximo ano.