Tragédia coxa

O diagnóstico é grave, amenizá-lo com teses ou interpretação de normas só pode piorar a situação do Coritiba. A decisão de declarar nulos os votos que elegeram Giovani Gionédis, e indicar Tico Fontoura como novo presidente, já não está mais restrita às questões jurídicas. Não se deve discutir aqui se a decisão foi contrária à lei em razão da própria lei (estatuto), ou da notória falta de neutralidade de alguns conselheiros, que se investiram de julgadores, que formalmente foram e são adversários do grupo de Giovani.

As questões, por mais diversas que sejam, alcançam o campo ético. Direito não é abstração, é uma necessidade natural, que conduz a jurisdição da ciência jurídica além dos tribunais. E por isso duas dessas questões devem ser enfrentadas: o grupo de Tico Fontoura se sente confortável em ganhar o poder através de uma decisão notoriamente sem neutralidade, absolutamente parcial? Por que Giovani foi à Justiça Comum (5.ª Vara Civel, Ação Cautelar, autos n.º 14.604/2005) brigar por um cargo, que ocupa simplesmente por idealismo, e do qual metade do clube manifestou vontade em tirá-lo?

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