Tradição

Sem ídolos, com carência de talentos, os atleticanos fazem da crise no gol um bom motivo de conversa de mesa. Weverton ou Santos? Em um grande time, nenhum dos dois. Para o time atual, qualquer um dos dois. Entre os dois, já escrevi que Santos passa mais confiança por ser mais discreto em razão da colocação.

Lá atrás, em 1983, o Atlético se dividiu entre Roberto Costa e Rafael. Roberto, que Carneiro Neto eternizou como o “Mão de Anjo”, era o melhor do Brasil. Técnico, discreto, conhecia cada palmo do gol e da pequena área, fazendo de qualquer defesa um evento natural. Rafael era um estrondo. Espetacular pela coragem e pelas defesas improváveis. Politicamente mais forte na Baixada, obrigou o Atlético a negociar Roberto Costa com o Vasco. O Furacão continuou com um goleiro excepcional, e ganhou alguém que se transformou em um ídolo, que a história propositadamente prefere guardar como se fosse um segredo: Renato Sá.

Ricardo Pinto teve a carreira encurtada no Atlético porque chegara a vez de Flávio, o “Pantera Negra”. E Flávio venceu tudo, em especial, a desconfiança. Não só provou que deveria ser o goleiro, como foi além: quase perfeito pela inteligência de antever a jogada, se transformou no segundo goleiro mais vencedor da história do clube, só sendo superado pela lenda Caju. Que eu me lembre, foi a única vez que o presidente Petraglia acertou no futebol.

Weverton ou Santos?

É uma briguinha à toa.
É um maltrato à tradição gol do Furacão.

Evento teste

Por ser a data do dia 14 de maio reservada para a Libertadores, o Atlético, já eliminado, está consultando o Corinthians para o jogo a título de evento-teste da Baixada. Já se estuda até os valores dos ingressos: a regra é o sócio, que pagaria 150 reais; a exceção custaria 300 reais. Com esses preços e a Baixada lotada (43 mil pagantes), a renda seria de 12 milhões de reais. Todinha do Furacão.

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