Torcida sem voz

Se fosse possível cortar em fatias a culpa pela derrota do Atlético (0 x 1) em Paranaguá, para o Vitória, a menor delas seria de Marcelo. Perdeu dois gols com o goleiro batido e a meta vazia, é verdade. Mas a fatia que lhe caberia seria mínima, porque perder gols para ele é a regra, marcá-los é exceção. Só está jogando, como jogam Bruno Furlan, Pablo e Ricardinho, porque é instrumento para atender interesses de um grupo de agentes-conselheiros comandados por Alexandre Rocha Loures.

Mas aqui, é a hipótese de culpa única, que se tornou indivisível. É toda ela de Mário Celso Petráglia. Seria natural se o regime fosse presidencialista, em que se reserva à presidência toda a critica de um processo. Ocorre que no Atlético escancara-se o regime de exceção, em que um único homem, se é preciso, dissimula atos populares. A torcida do Atlético foi enrolada com o futebol moderno e juvenil durante o período mais nobre da preparação para o Brasileiro.

Agora, querendo esconder o erro descoberto tardiamente pela torcida, Petraglia dissimula, e imprimindo contratações em massa, empilha jogadores no CT do Caju, como se fosse possível formar um time de improviso durante um campeonato. E, o que é grave, empilha jogadores de quinta categoria. E, mais grave ainda, é que dá o comando para um treinador que tem um desejo reprimido, que é o aprender a organizar um time. Mas o pobre Jorginho também não tem culpa. Há homens que a natureza nega a virtude de poder olhar, pensar e decidir ao mesmo tempo.

Mas os atos desse regime ditatorial estão extrapolando aos do campo. É que, pela segunda vez, a televisão mostrou os torcedores sendo agredidos nas sociais do Caranguejão, imobilizados pelas chaves de braços dos seguranças. Nem o direito constitucional da livre manifestação pode ser exercido pelo torcedor do Atlético. Há repreensão ostensiva e escancarada por uma ordem de força, que guarda semelhanças com a KGB de Stalin, e repaginadas por Putin. O jogo? Foi Carpegiani em dose dupla no comando do Vitória. Se não bastasse o pai Paulo César, agora tem o filho Rodrigo. Com um time em que Pedro Ken é o astro, dominou o jogo e venceu.

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