A torcida organizada que fez uma embocada, quebrou vidros do ônibus e ameaçou os jogadores do Atlético é a mesma que matou um torcedor do Paraná, e que terá um dos membros julgados por crime de homicídio por um júri popular. Será o julgamento simbólico de todos esses torcedores.
Em grupo, são destemidos, criando um segmento do tribalismo. Submetidos à Justiça (o que é raro), choram e juram inocência. É uma ferida, que quando está fechando, os dirigentes cutucam-na para se manterem no poder. Em ações criminosas como essa, o clube tem responsabilidade direta, porque há em dado momento histórico um apoio que cria uma relação promíscua.
Esse é um dos resultados da propaganda messiânica, que vive prometendo chegar à porta do Céu, inflando o Atlético para atender interesses restritos. A ilusão que se cria com essa espécie de propaganda faz com que os seus piores instintos se escondam atrás da paixão, provocando ameaças, que podem se transformar em desgraça, como a morte que será julgada por júri popular.
Parrudos, cheios de músculos e tatuagens ao perseguirem os jogadores, esses torcedores deram a impressão que era uma torcida treinando para o MMA, o novo esporte do Atlético. Resta saber se a diretoria do Furacão tomou alguma providência formal junto a policia. Do contrário, a omissão será imperdoável.
E há um fato que a torcida parece ignorar: essa forma de reação não irá resolver o problema do Atlético. Os jogadores apenas seguem a regra criada no clube, que trata como irrelevante o resultado do campo.
Ganhando ou perdendo o Furacão, todos – sem distinção – continuarão tendo os benefícios da ordem empresarial, cujo único resultado que interessa é o lucro financeiro.
O Furacão joga toda a sua crise nessa semifinal da Primeira Liga, contra o Flamengo, em Juiz de Fora. É possível ter uma ponta de otimismo, porque a derrota para o Coritiba deixou tantas marcas nos atleticanos que algumas devem ter sido absorvidas pelos jogadores. E o Flamengo tem a capacidade de perder para o Confiança, de Aracaju.