Não esperei pela votação da proposta para a criação da Fundação Clube Atlético Paranaense, porque para o meu tema é irrelevante. O mau uso do clube para alcançar ambições e interesses não mais sensibiliza os atleticanos. A ausência de debates torna-se tão grave que já está se confundido com indiferença, com resignação e com a benevolência.

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Há uma fuga de sócios e torcedores aos debates, desprezando um dos maiores valores do homem que é a legitimidade para enfrenta-los. E não há nada pior para a vida de uma instituição popular, como é o Furacão, do que a indiferença de sua gente. É que a indiferença, ao invés de trazer paz, incentiva o arbítrio de quem tem o poder, mesmo que se escancare a falta do primado do fato moral.

As reações contra as pretensões de Petraglia de ser o dono vitalício são frágeis. É só dialética, não passam de um simbolismo. É que não passam de reações eventuais, que ganham fundo político, e que por isso na prática não repercutem em benefício do Atlético. Vejam o caso recente do São Paulo: um grupo de sócios está indo à Justiça para impedir a execução do projeto da cobertura do Morumbi. A questão relevante não é a razão de mérito, é a reação do ideal do torcedor.

Os atleticanos não irão ver o Atlético se aperfeiçoar como um dos maiores do Brasil assistindo o ininterrupto desfile de atos de exceção. Não irão ver o Atlético se transformar em clube nacional, se continuarem não reagindo contra a intolerância. A indiferença é, também, um processo de autoengano. Com o tempo atua como uma fiança para os atos de arbítrio. Chega um momento que não há mais nada o que fazer. E daí, o arbítrio se transforma em um estado de conforto.

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