Os coxas já não sofrem mais. Pagaram os pecados até o fim, e foram perdoados. Contra um Galo de ressaca, com um jogo sem ambições ofensivas, mas excelente na defesa, com uma arbitragem que ostensivamente lhe protegeu (o gol de Carlinhos foi impedido e do Atlético anulado foi valido) ganhou no Independência os últimos pontos que precisava para não ser rebaixado: 2×1. E como o futebol é feito de desejos, contradições e coincidência, Levir Culpi, técnico do Galo, deve ter acalmada a sua angustia com a perspectiva de rebaixar o seu “time do coração”. Levir não é de esconder alguns sentimentos.
Embora não justifique a péssima campanha, o Coritiba só não caiu porque teve força interna. E não foi por coincidência de que essa força só foi sentida, depois que o presidente Vilson Ribeiro de Andrade e o ídolo Alex acabaram com as divergências públicas. O craque exercendo a sua influência no vestiário e no campo, criou o juízo de recuperação entre os jogadores, ambientando-os com força moral que leva à superação como meio de vitória. Os dois Vilson e Alex – que levariam o carimbo pelo rebaixamento dos coxas, saem como responsáveis por afastar um fracasso que parecia inevitável.
Enquanto os coxas se salvavam, o Atlético se despedia da torcida vencendo o Goiás (1×0), na Baixada, deixando mais dúvidas do que certezas. Não dá para se negar força às circunstâncias que marcaram a sua vida nesses últimos anos. É verdade que a causa imediata foram os erros no futebol por especular com o cargo de técnico, como se esse fosse irrelevante. Mas é verdade mais forte, que sem estádio, sem torcida e vivendo como nômade, o Furacão teve que viver de improvisação. E até que esse ano dentro dessas circunstâncias vai terminar sem nenhum trauma, embora seja pouco para a sua grandeza.
Na vitória de ontem dois destaques: o reencontro de Marcelo com o gol, e os 10 minutos do menino Nathan. O ano vai terminar, e o Atlético não deixou Nathan responder o que pode jogar em 90 minutos.