Tetra

O futebol pode, às vezes, ser maldoso, resolvendo-se pela surpresa. Pode, outras vezes, ser resolvido por um fato ocasional. Mas em regra, o futebol é justo: ganha o melhor.

A Alemanha ganhou a sua quarta Copa do Mundo vencendo a Argentina por 1×0, com um gol de Mario Götze no segundo tempo da prorrogação. Ninguém ganha uma Copa do Mundo no segundo tempo da prorrogação sem ter condições táticas, individuais e físicas, que possam manter equilibrada a emoção.

Os germânicos tiveram todas essas virtudes. Conscientes que os argentinos, reduzidos a Messi, iriam compensar a falta de qualidade com os carrinhos de Mascherano e a força, e que queriam o gol pelo acaso não mudaram o estilo de jogo. Comandados pelos excepcionais Lahn, Toni Kross e Schweinsteiger, foram absolutamente frios, certos de que fariam o gol.

A Argentina, descartando Messi – anulado pelos alemães, teve apenas alma e uma bola, que seria o acaso, e que Palacio perdeu. Foi pouco para enfrentar a grandeza da Alemanha.

Última imagem

Já não havia um perdão possível para o Brasil de Felipão porque sempre haverá os 7×1 dos alemães. Talvez, pudesse ter um conforto para fazer companhia a consciência definitiva da realidade que foi posta, após o pênalti simulado por Fred contra a Croácia. Mas, o Brasil de Felipão e Parreira foi tão frágil e foi tão carente em tudo e por tudo, que nem conforto conseguiu, terminando em flagelo.

A vitória da Holanda pelo placar clássico 3×0, talvez, foi a lição mais importante do que os 7×1 dos alemães. É que nós brasileiros vivemos em equívoco com a última imagem, usando-a para disfarçar um fracasso.

A derrota para os holandeses não permitiu que a imagem do fracasso ficasse dependente da interpretação de conceitos abstratos, como o “apagão”, imprimido por Felipão para justificar a derrota  para a Alemanha.

O Brasil apanhou da Holanda porque seu time é fraco e Felipão foi incapaz de fazer qualquer correção tática. Felipão, que já não havia sido leal com a competência (o que não surpreendeu), não foi sério. Querer dar relevância ao quarto lugar em uma Copa do Mundo, no Brasil consciente do que representa o futebol na cultura e na vida do país, para proteger causa própria é distrato aos sentimentos do povo brasileiro.

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