Saio da Baixada com os sentimentos estropiados. O da alegria estava tão escondido, estava quase desaparecido, que parecia impossível de emergir.
Chego em casa recebido com um sorriso, que parecia anunciar uma semana de conforto, de paz e de esperança. Lembrei de um verso de Fernando Pessoa, que se me lembro é mais ou menos assim: “Quando viestes da festa/Vinhas cansada e contente/ A minha pergunta é esta:/ Foi da festa ou foi da gente.”
Deus é testemunha: o Atlético ganhou. E do poderoso Internacional. E com dois gols de Nieto: 2×0.
E não foi uma dessas vitórias casuísticas, alienadas ao acaso. Foi uma vitória grandiosa, de um time que bem distribuído por Antônio Lopes, só não deu a solução no primeiro tempo, porque o árbitro Paulo César Oliveira viu, mas não quis dar o pênalti de Nei, que cortou com mão um lance dentro da área do Inter.
Mas foi no segundo tempo que o Atlético, à alma, somou a inteligência de jogo. Escreveu certa vez Nelson Rodrigues, que a vida dos homens e dos times depende, às vezes, de episódios quase imperceptíveis. O volante pegador Renan, sentiu-se mal quando voltou do intervalo e teve que sair. Fransergio, que entrou, avançou o meio campo; Marcinho, passou a ter a jogada do contra-ataque e Paulo Baier entrou no jogo. Sem ser conservador, Lopes tirou Paulinho e travou os lados do Inter.
E, então, o que se viu foi um Atlético jamais visto neste campeonato. Os dois gols de Nieto, de cabeça, de bola cruzada por Marcinho e Edilson, nada mais foram do que um meio de se fazer justiça para quem jogou bem e melhor.
Marcinho mudou o jogo.
Mas Nieto foi insuperável. Fez o que para a maior torcida do Paraná parecia um sonho improvável: gols.
O Atlético ganhou um sopro de vida para continuar na elite.
Mas, como dizem os espanhóis, nem um passo para trás. Nem para tomar impulso.