O clamor público era por Geninho. Fez certo Mário Celso Petraglia em não ouvi-lo: o momento não é de maneirismo, e muito menos de apego ao passado; não é de paz, e muito menos de transigência. O momento é de impacto, de choque de conceitos, de ter o temor da desgraça estampada na cara. O Atlético precisa parar de se iludir com a retórica de romance: a torcida gritando por Geninho, toda vez que sai um técnico, é a mesma coisa que Petraglia continuar orando no pedestal, intocável, como se fosse onipresente pelo que já fez pelo clube.
Do mercado dos excluídos, Mário Sérgio Pontes de Paiva era a opção imediata. Não uso a palavra solução, porque aí seria transferir
a irresponsabilidade gerencial do futebol para um estranho, como é todo o treinador, que é pego em caráter de desespero.
Sei que a torcida tem contas a apresentar a Mário Sérgio. Mas a situação hoje é outra, embora não dispense cobranças. O treinador pega um Atlético com terra arrasada. Foi produto da política de seis anos de Petraglia, que em razão de uma equivocada avaliação de suas virtudes, escondeu a incompetência, que não permite diferenciar o jogador bom para o time, do jogador bom para negócio.
O escolhido foi Mário Sérgio. Mas poderia ser Pedro Barracão, que está desempregado em Sobral, no Ceará, como poderia ser Zico e Parreira, que estão desempregados na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Se não houver uma urgente correção no grupo de jogadores, se privilegiar Danilo, Alan Bahia, Nei, Pedro Oldoni – síntese da época de fracassos, se continuar vindo jogadores da relação do comando com empresários, como Joãozinho, Rafael Moura, Júlio César, não haverá vida futura.
Pelo menos existe um consolo: o professor Moraci Sant’anna, um dos maiores profissionais da história do futebol brasileiro, foi surpreendentemente contratado. A idéia teria que ter vindo de fora, como foi de Zico.
Se Petraglia quer mesmo mostrar a sua resignação pelos erros que praticou, entregue a chave do CT do Caju para Moraci. Não seria pedir muito a quem deu a chave, por seis anos, para Maculan e Antônio Carlos Gomes.
Um último detalhe: a comissão técnica assinou por um ano e meio. Significa que Petraglia já tem como certa a sua reeleição, como presidente do Atlético. Se não for isso, foi temerário, porque romper um contrato de uma comissão técnica como essa não sai barato.
De primeira:
O Coritiba precisa arrumar alguém que saiba interpretar o que é ofensa ou crítica. E depois, se tiver o direito de resposta, contratar alguém que saiba escrever. O direito de resposta sobre as críticas de Vinícius, mostrou o quanto o clube, às vezes, se torna pequeno.