Há tempos, fui repórter do rádio esportivo. O meu pai João dizia que eu era o melhor. Era ternura de pai. Tinha lá os meus encantos, mas não é era o melhor. Não tinha a voz do Nestor Baptista, nem o poder de improviso e de sequência dissertiva de Carneiro Neto, o maior radialista esportivo de todos os tempos no Paraná.
Com uma voz metálica (bem comparada, a da excelente Nadja Mauad é de veludo), busquei compensar com o principal instrumento do repórter: o raciocínio rápido para submeter o entrevistado ao objetivo da entrevista. No fundo, eu sempre busquei extrair a resposta que eu como ouvinte queria ouvir, e não a do que o entrevistado queria responder. A consequência era que um fato qualquer transformava-se em polêmica, ou a exposição de um fato escondido.
Mas o que eu gostava mesmo como repórter era querer influenciar o treinador do Atlético na escalação. Diziam que eu era uma “corneta” com microfone na mão. Pois quero dizer: de tudo o que eu fazia, o que mais sinto falta é esse de querer influenciar na escalação do Furacão.
Hoje à noite, na Baixada, o Furacão começa a jogar a semifinal da Copa Sul-Americana contra o Fluminense. Na sua recente história, não houve disputa mais importante. A Baixada está pronta, o Furacão tem um grande técnico, tem um time apurado e nenhum dos seus adversários futuros lhe são superiores.
Perguntei-me: se fosse possível “influenciar” o notável Tiago Nunes na escalação do Furacão, o que eu iria sugerir? Não é coincidência, é fato. O Atlético não andou bem nos jogos contra o Bahia. Beneficiado com erro do VAR em Salvador, obrigou-se a usar a qualidade individual para ganhar nos pênaltis, na Baixada.
Um dos motivos que explica a queda técnica do time está na troca de Marcinho por Marcelo Cirino. Com mais recursos técnicos e inteligência, Marcinho, por sua natureza técnica, é capaz de integrar a composição do meio, estabilizando-o. E faz mais: é capaz de transformar-se em atacante criador de jogadas para Pablo. Ao contrário, Cirino reduz o seu jogo em correr.
Meu time para hoje seria: Santos; Jonathan, Paulo André, Léo Pereira e Renan Lodi; Bruno Guimarães, Lucho González, Raphael Veiga e Marcinho e Nikão; Pablo.