Desde 1875, os ingleses decidiram que um time tem direito a 90 minutos para resolver um jogo um jogo de futebol. O que se desconta fica por conta do árbitro. Em média, nada mais do que três minutos.
Mas, mais de um século de história da regra imutável, não bastou para convencer o uruguaio Juan Ramon Carrasco como treinador, que um jogo tem noventa minutos. Para ele, um jogo tem apenas os 45 minutos do primeiro tempo.
O resultado dessa inconsciência é que, se o seu time não decidir nesse seu tempo de jogo, por mais superior que seja, o risco é de não ganhá-lo. O ritmo que o seu esquema exige nesse seu tempo alcança em alguns momentos a exaustão. É tão frenético, que beira a irracionalidade. E como um time de futebol é constituído por seres racionais, não há quem suporte 90 minutos.
O Atlético empatou a dois gols com o Palmeiras, em Vila Capanema, pela Copa do Brasil. Seria um resultado normal se fosse um time inferior. Mas não é.
Sem dosar a parte emocional, correndo de forma alucinada, saiu vencendo o primeiro tempo (2 x 1), mas exaurido, cansado, ficou convencido que o jogo já estava encerrado. Era o jogo de Carrasco que havia terminado, mas não o jogo do Atlético. E era esse que interessava. E se não bastasse, o excêntrico treinador tratou de auxiliar o Palmeiras no intervalo. Abriu o lado da defesa, trocando Cleberson pelo limitado Pablo. E, quando a sobrevida existia unicamente em Guerrón, trocou o artilheiro pelo limitadíssimo Ricardinho, jogador de recuo.
O Palmeiras empatou (2 x 2) ainda com o direito de reclamar que no lance do gol de Edigar Junio, Guerrón estava impedido, e que ainda não foi marcado um pênalti que ocorreu da zaga atleticana. Compensação para o pênalti de Maurício Ramos, que o árbitro não marcou.
O goleiro Rodolfo, pegando duas bolas, no chão, no primeiro tempo, foi o único razoável do time.
Se eu me convencer que foi Alan Bahia, seria esvaziar ainda mais a qualidade do time. E não é que foi mesmo!