Telefone vermelho

O final de jogo na Arena coincidia com a hora de repouso de Deus. Mas alguma coisa O fez esperar. Então tocou o Seu telefone vermelho. Era Washington, que batendo no peito, pediu humildemente uma benção urgente. Um segundo de conversa, e pronto. O povo brasileiro assistiu a um dos momentos mais emocionantes da história de um século do nosso futebol: Washington empatou o jogo aos 43 minutos, e desempatou aos 45 minutos em um pênalti que ele próprio sofreu do goleiro Júlio César.

E assim, com a benção divina espalhando-se sobre Washington (e foi só por isso), o Atlético teve a mais extraordinária, a mais sensacional, a mais espetacular vitória dos últimos tempos. Perdia um jogo que merecia perder para o Flamengo. Mas como as coisas do céu vêm a qualquer momento, aconteceu o que só Deus podia prever e fazer.

Pobres dos teóricos, analistas ou especuladores de táticas, que tentaram ou ainda tentam explicar a vitória por algum fato, que não seja esse vindo do céu.

O Atlético não merecia ganhar. Jogou mal tática e individualmente. Parecia ter medo de si próprio ao negar autoridade de líder, e por isso o empate já seria um grande consolo. O Flamengo, a partir do interminável Zinho, teve o domínio do jogo, da bola e do placar. Não seria justo perder.

No entanto, não teve consciência de uma verdade que só nós fiéis acreditamos. Futebol não se ganha só no campo.

Ganha-se, também, no céu.

***

Mas não esqueçamos dos equívocos do Atlético. Imaginou-se cautela pela retração no início do jogo. Depois se constatou que o time estava mal postado, pois as ausências de Marcão e Alan Bahia fragilizaram a marcação e a defesa, repercutindo em todo o time. Jádson e Dagoberto foram passivos, entregando-se a marcação, o que criou o absoluto isolamento de Washington em meio a uma defesa fechada.

Não foi por coincidência que a causa imediata da vitória, o uso do telefone vermelho, ocorreu quando entrou Denis, uma nova versão de Oséas, só que ágil e com talento. Juntou-se a Washington, deu o primeiro gol, ajudando depois a provocar pânico no goleiro Júlio César.

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