Não há nos principais centros do futebol mundial, uma arbitragem tão viciada como a do futebol brasileiro. Fosse o critério de escolha a qualidade do árbitro, nenhum brasileiro iria trabalhar em Copa do Mundo. A escolha do árbitro brasileiro é política.
Em 1985, quando soube que Romualdo Arpi Filho iria apitar a final entre Bangu e Coritiba, o saudoso Evangelino Neves correu a João Havelange. Pedindo a sua interferência, só pediu para que o então presidente da Fifa, interviesse pela imparcialidade do árbitro. À véspera da indicação para o Mundial do México, de 1986, Romualdo foi além de ser imparcial. Anulou um gol do ponta direita Marinho, que daria o título ao Bangu. O Coritiba foi campeão e Romualdo foi para México, apitando, inclusive a final entre Argentina e Alemanha.
José Roberto Wright foi o brasileiro da arbitragem da Copa na Itália, em 1990. Para isso precisou de pouca coisa: não marcar um pênalti contra o Bangu, em uma final anterior com o Fluminense.
E todos os árbitros brasileiros que foram a uma Copa, não precisaram necessariamente ser o melhor. Antes de tudo, tiveram que direta ou indiramente ser convenientes.
Vejam o caso de Carlos Eugênio Simon, que foi afastado do Campeonato Brasileiro, pelo erro grosseiro que praticou ao anular o gol legítimo de Obina, do Palmeiras, dando a vitória ao Fluminense.
Há tempos Simon vem errando. E não são erros que se incluem no campo infabilidade do ser humano, que seriam no caso da arbitragem, decorrentes da interpretação da regra. São erros tão grosseiros, de natureza tão ostensiva, que chegam a se confundir com atos de conveniência.
E nem se cogite de que Simon não sabe apitar. Sabe e muito bem.
Mas como se fosse o Papa, lhe deram o dogma da infabilidade, que lhe autoriza a praticar qualquer equívoco, que irá à Copa do Mundo.
Simon é apenas o núcleo de uma verdade: o Campeonato Brasileiro em cima e em baixo está sendo decidido no apito. Nós todos, não árbitros, somos ingênuos. Bobos, às vezes.
Teimamos em acreditar, que o futebol só se decide no campo.