Há dez dias escrevi aqui: Enderson Moreira será o novo treinador do Atlético. Ontem, na calada da tarde, o Furacão anunciou o seu novo treinador: Enderson Moreira.
A torcida atleticana quer que eu responda: é o técnico ideal?
Se me perguntasse quem seria o técnico ideal saberia responder. Mas se me perguntarem se Enderson Moreira é o técnico ideal não sei responder. Se não fosse meu amigo, eu escreveria que o técnico ideal seria Paulo Cezar Carpegiani, baseado em sobra de razões.
Explico. O Furacão precisa de um treinador que a essa altura da vida aceita o que quer e não o que precisa, portanto, independente. Seria o caso de Carpegiani. O Furacão precisa de um treinador que tenha a capacidade de compensar as restrições individuais com trabalho e orientação tática. Que faz um time com Chico na zaga ser o 5º do Brasil. Seria o caso de Carpegiani. O Atlético precisa, mais do que nunca, de um treinador que gosta e saiba trabalhar com jovens, que proteja a inexperiência, corrija os defeitos e explore as virtudes. Seria o caso de Carpegiani. Mas nunca escrevi que Carpegiani seria o técnico ideal.
Enderson Moreira tem uma virtude: por ter personalidade, não é submisso às ordens do patrão. E, talvez, seja o que Petraglia queira: um treinador que não considere relevante os seus palpites.
Enderson é estudioso, e por isso, faz tudo para sair dos métodos convencionais. Tem um grave defeito para o futebol atual, e especial, para o Atlético: só trabalha com jovens quando forçado pelas circunstâncias, como aconteceu com o Goiás. Fracassou no Grêmio, e foi demitido do Santos por entender que é impossível fazer uma renovação em massa, no que não está errado. O Furacão deveria aproveitar e trazer Robson Gomes para dar condição física ao time. Robson fez dupla com Enderson no Goiás.
Dizer que o Atlético não contratou um bom técnico é ir contra evidências. Da nova safra, seria a melhor opção para qualquer grande clube. Agora, responder se o Furacão contratou um técnico ideal não sei. Não há técnico ideal com Eduardo, Natanael, Paulo Dias, Rafinha, Nikão, Zuchi, e jovens forjados por interesses de negócios.