A Baixada vista com olhos transigentes pela paixão provoca emoção. É um teatro. Afastando-se do projeto arquitetônico e do sistema de iluminação que foi imposto pela Fifa, não sei como é vê-la com os olhos críticos, considerando o dinheiro gasto e a perfeição prometida.
Foi uma festa inesquecível, porque foi regrada pela paixão.
Bem resumida foi assim: a Baixada e a torcida foram as do Atlético, portentosas; e, o time, foi o de Petraglia, medíocre. Revoltado pelas censuras ao técnico Miguel Ángel Portugal, o presidente saiu gritando, que a torcida não merece “isso aqui”, referindo-se à Baixada. Já havia afirmado, em reunião do Conselho Deliberativo, “que o Atlético não o merecia”.
Vaias
Petraglia não viu nada ainda. As vaias que recebeu no intervalo já sugerem que a torcida não irá transigir com qualquer time. E todos que foram à festa têm legitimidade para pedir o que quiserem, pois há três anos se sacrificam pagando pelo que não recebem. Bem por isso, para não cortar da própria carne, vai ter que providenciar um time digno da camisa rubro-negra. A Baixada atrai tanto a influência da torcida para bem ou para o mal, que não é qualquer Furacão que irá lhe resistir. A carga emocional que essa “torcida nórdica do Atlético”, como em 2001 a chamou Luís Fernando Veríssimo, é tão grande que só um time de talento e de emoção forte irá suportar.