Tarde de carnaval

O amigo Nerci me convidou, então, retomei o meu ?Caminho de Santiago?.

Aborrecido pela incompreensão, o sentimento foi mais forte e ganhou o jogo. Por isso, e porque a saudade bateu, lá fui eu passar a tarde de sábado na Arena. Já passavam de três anos que não ia lá. Uma eternidade para quem lá viveu diariamente durante 28 anos. Às vezes não podemos nos afastar do passado, pois ele nos cria valores que se tornam indisponíveis até o fim.

Além do mais, a vida mudou. Já não temos muitos valores e os que nos restam precisam ser protegidos, porque precisam ser preservados. A família, o trabalho, os amigos que vão rareando, e mais um e outro, como o time do coração, por exemplo.

E lá estava a Arena: já era bonita, ficou encantadora, já provocava paixão, agora comove. Cuida-se da Arena como se cuida da mansão de Campo Comprido.

Coincidência ou não, o jogo não foi um jogo qualquer como sugere um jogo por esse estadual. Atlético e Iraty fizeram um belo jogo, em alguns momentos, um grande jogo, com quatro gols, e o empate final 2×2, que seria justo se Alan Bahia não tivesse vindo de trás para fazer um gol anulado.

Foi a partir do treinador Val de Mello, cobra criada, que ocorreu o grande jogo. Para equilibrar a diferença individual, mandou o Iraty marcar no campo do Atlético, provocando insegurança no time de Matthäus, que passou a ter dois alas inoperantes. Jancarlos porque era marcado e Moreno porque é fraco de jogo. Mas o Atlético tendo Dagoberto, sempre tem um fato casual e diferente, como a falta que cobrou para Paulo André marcar.

Para o segundo tempo, Matthäus interveio. Ferreira, que esqueceu de crescer mais um pouquinho, parecendo um brinquedo feito de mola, e o melhor em campo, passou a jogar aberto pela esquerda. E jogando e correndo pela esquerda, criava ou marcava. Marcou o segundo gol, sem ângulo porque teve que, também, driblar o goleiro. Belo, com certeza. No entanto, o Iraty não se entregou. Além de jogar bem, era auxiliado pela arbitragem do péssimo Renato Vieira Júnior, que não só anulou um gol legal de Alan Bahia, como foi transigente com a violência do veterano Ageu. Aí, o Iraty fez o primeiro pela cabeça de Leandro, que alto, parrudo e forte, parece ser feito de concreto armado. E o Atlético recuou. E quando recua, é um desespero. Não porque o adversário ataca, mas porque a sua defesa, baixa e insegura (Danilo principalmente), fica submissa até falhar. E no segundo final, aconteceu fato que poderia aproximar o resultado do justo, se não fosse o árbitro: o Iraty empatou, 2×2.

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