Com o gol que fez contra o Vasco, lembrando aos atleticanos que no futebol também existe vitória, o “tanque” Ribamar está na boca do povo, provocando suspiros na maior torcida do Paraná. Minha geração de torcedores tem lembranças guardadas, mesmo que protegidas por certas reservas.
O amigo Valdo Zanetti, atleticano histórico, lembra-me de duas.
Uma delas certa vez já contei, mas por causa de Ribamar não custa contá-la outra vez.
O saudoso presidente Aníbal Khoury fazia acreditar que não sabia nada de futebol. Estava no Atlético para salvá-lo da insolvência, como salvou. Um dia de 1976, o seu diretor doutor Canoco disse-lhe: “Aníbal, vamos decidir o turno com os coxas e não temos centroavante. Está aí um rapaz de nome Taquito, que veio do Rio de Janeiro e é um ‘tanque’”. Anibal consultou a turma da “Boca Maldita”. Pronto, o Furacão tinha um centroavante.
Taquito era grandão, parrudo, bem moreno, coisa gozada. Exótico, era ventríloquo. Certa vez havia ganho um concurso derrotando os japoneses, mestres na arte de falar com a barriga.
Lá pelas tantas, no segundo tempo, depois de enganar um coxa utilizando desse meio, Taquito pegou uma bola no meio-campo e pôs-se a correr. E foi correndo. E daí aconteceu: Furacão 1×0, gol de Taquito. Nunca mais soube-se de Taquito. O final da história foi a mesma da época. O Coritiba, campeão derrotando o Seleboca.
Era 1977, véspera de um Atletiba, que decidia o turno do Campeonato Paranaense. O doutor Conoco foi ao presidente Aníbal Khoury e falou: “Aníbal, vamos decidir com os coxas e não temos centroavante. Está aí um ‘tanque’ de nome Cabral, que veio do Rio de Janeiro e jogava no Olaria. O Flamengo está querendo ele”. Aníbal, que já havia aprendido tudo sobre tanques de qualquer natureza, depois de consultar a turma da “Boca”, coçou a barriga e disse: “Pode contratar”. E o Atlético, no Couto Pereira lotado por 60 mil pessoas em uma quarta-feira à noite, sob uma temperatura de 5 graus, ganhou de 1×0, gol de Cabral na prorrogação. Não mais soube-se de Cabral. Desta vez, o Gremio de Maringá foi campeão com Didi e Nivaldo Carneiro, que depois vieram para o Furacão.
Homenagem
Essa coluna é uma homenagem, ao amigo e atleticano histórico, que ajudou a fazer o novo Atlético, e que está de aniversário: Enio Fornea Júnior.