Havia muito tempo, que não ouvia um jogador confessar de público a sua felicidade por marcar um gol pelo Atlético “seu clube de coração”. É que se implantou no Furacão um profissionalismo que é ordenado por regras de mercado pelas quais todos devem ganhar, porque o ideal está no dinheiro.

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O jovem Vinícius desafiou este paradigma. Depois de conduzir o Atlético à vitória contra o Fluminense, no Rio de Janeiro, abriu o sorriso, falando com o coração pela alegria de realizar o sonho de infância. O fato ganha mais relevo se conhecido seus precedentes: o Atlético ganhou a concorrência com Corinthians, Grêmio e Inter muito mais pela atração que exerce no craque do que pelos valores materiais, embora sejam de excelente padrão. O Furacão trabalha como a terapia que Vinícius precisa para ganhar a consciência profissional para ganhar fama e dinheiro.
A associação entre o talento e o ideal, rara no futebol de hoje, cria um estado poderoso. É que às vezes, o ideal obriga mais que o dinheiro.

Vinícius foi o dono da bola na volta do Atlético. O seu primeiro jogo parecia ser o milésimo, porque tudo foi ao natural, sem traumas. É o que acontece quando o coração é quem manda.

Velhos carnavais

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A carência de títulos do Atlético com Petraglia no comando, a pressão que existe no Coritiba depois do fracassado 2015, os planos escondidos do Paraná, o sonho sempre presente do Jotinha e a disposição natural de Operário e Londrina criam uma perspectiva otimista para o Estadual. Não por paixão, mas pelas circunstâncias, a partir da obrigação do Furacão em ganhar um título, irá se deflagrar uma competição como nos velhos tempos. Dito de outra forma: o Estadual vai valer alguma coisa. O conforto de que “não vale nada” acabou para os grandes, em especial para Atlético e Coritiba. Mas nada adiantaria se não tivesse a transmissão da televisão. Hoje, qualquer competição, se não tiver imagens imediatas, entra no vazio. E a RPC banca com fidelidade esse evento.