Nunca acredite, torcedor, de imparcialidade no futebol. Por mais razoável que seja, o homem é dirigido por algum sentimento. No fundo, por mais discreto que seja, ele quer é conseguir um objetivo, que voluntaria ou involuntariamente vai pender em benefício de alguém.

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Por muito anos fui advogado nos tribunais esportivos. Ganhei e perdi, sempre sabendo que a solução não seria dada pela aplicação do Direito, da Justiça plena, mas pelas circunstâncias que ambientavam o fato e o julgamento. Não entrei mais em um tribunal esportivo, depois que vi o STJD ignorar a defesa do Atlético oferecida pelos juristas Marçal Justen Filho e Miguel Realle Júnior, suspendendo o clube por um ano e eliminando seu presidente Mario Celso Petraglia por desvio ético. “A Constituição não se aplica aqui neste tribunal”, disse na ocasião o seu presidente Zveiter.

Abordo esse tema porque ficou um rabo do Campeonato Paranaense que terminou. Um rabo de foguete, não há dúvida. O tribunal esportivo do Paraná, pela turma do pleno, vai julgar o caso de um atleta que teria inscrição irregular quando jogava pelo Rio Branco. Se for dado provimento ao recurso da procuradoria, a consequência imediata será o rebaixamento do Rio Branco para a segunda divisão. Mas a consequência principal será abrir as portas do fundo para o Paraná continuar na primeira divisão. É aí que surge o perigo da paixão ser mais forte do que o Direito.

O doutor Peterson Morosko, presidente atual do TJD, ainda não se conformou com o rebaixamento do seu clube de coração, que poderia ser o Coritiba, o Atlético ou qualquer um outro. Mas o clube pelo qual o doutor Morosko é apaixonado é o Paraná. E o que anda fazendo o nobre auditor? Pressionado pelo incontrolável sentimento de torcedor, anda fazendo o que não deveria como presidente do TJD: nomeou, sem sorteio, um relator recém-nomeado como auditor – portanto, inexperiente para tratar de caso tão complexo – e anda telefonando para todos seus colegas julgadores para saber o que eles pensam sobre o caso. Sem valorar a intenção, criou um estado de constrangimento. E mesmo que seja sem nenhum propósito, a curiosidade do Dr. Morosck já provocou um ambiente temerário para o julgamento. Não condeno o Dr. Morosko, porque eu sei bem o que é ser apaixonado. É por isso que sempre evitei ocupar determinados cargos.

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Mudança

Fico sabendo que o secretário da Copa, Mario Celso Cunha, anda dizendo que irá me processar. E que, inclusive, o conselheiro do Atlético Mario Celso Petraglia colocou-o à disposição um dos seus vários advogados. Confesso que não entendi a razão desta reação do secretário Cunha. Perguntei a quem interessava ele dizer que “Curitiba estava correndo o risco de não sediar a Copa do Mundo por causa do Atlético”. Na dúvida, indaguei: “Das duas, uma: ou Mario Celso, pela vaidade de homem público, perdeu a consciência ou é mal intencionado?” Parece que, tendo dificuldades de entender as coisas, escolheu a hipótese que poderia ser pouco sugestiva. Quando foi escolhido para ser o secretário da Copa, escrevi: “Era a voz que faltava para Curitiba nesta Copa”. Ele mandou-me um recado: “Mafuz, você é um gênio!”

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