Superação

As propostas de Mário Celso Petraglia carregam sempre um componente de cálculo. Às vezes, provocam desconfiança em razão do personagem que ele próprio gerou, criou e hoje incentiva até com certa ironia: o do homem poderoso, manipulador, fazedor, capaz de tudo.

Só que desta vez Petraglia se superou. Expressando sentimentos e objetivos por aparências, metáforas e eufemismos, sem escrever uma única linha, sem garantir um único número definitivo em uma obra de no mínimo 180 milhões de reais, teve a capacidade de convencer governantes contra os quais fez recente campanha política (Richa e Ducci), conselheiros do Atlético, que não transigiam, e a maior torcida do Paraná, de que a sua proposta para a Baixada é um doce de leite.

Petraglia apresentou as duas virtudes que faltavam nesse processo: a sua coragem e a sua audácia para realizar, que às vezes para os tímidos se confundem com irresponsabilidade. Elas lhe devolveram à linha de frente.

No entanto, a virtude mais importante foi convencer Richa e Ducci de que eles seriam os governantes mais bem sucedidos na realização da Copa. É que, enquanto todos os governos enterram bilhões de reais em estádios públicos, o governo do Paraná e a prefeitura de Curitiba irão gastar valores racionais, que financiados a longo prazo no final se tornarão inexpressivos pelo tamanho do fato.

A figura de Petraglia, por provocar suposições, faz atleticanos me perguntarem: pode-se confiar em Petraglia? A essa altura da vida, aprendi que quando alguém se propõe a fazer alguma coisa, e no caso para o time de coração, presume-se, tem boa-fé. O nome e a história fazem parte da herança.

Perguntar não ofende: já comprou o primeiro tijolinho, Petraglia?

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