Super heróis

Escrevi certa vez que Mário Celso Petraglia não surpreende: dele nada é inesperado. O que, às vezes, surpreende é quando os fatos são baseados em razões e têm como objetivo a prática do bem.

O doutor sugeriu o fim das torcidas organizadas. Como o Atlético não pode finalizá-las no sentido formal esvaziou-as, proibindo enfeites, faixas e bateria.

Há críticas de que o doutor Petraglia foi desleal, pois usara as torcidas como instrumento para manter o poder no Atlético, e agora as despreza. Aprende-se com Friedrich Nietzsche, em “Acima do bem e do mal”: “Um político divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos”.

Os negócios que o doutor fez para ganhar a eleição, a oposição tentou fazer, mas não conseguiu. E, ainda, que tivesse usado as facções organizadas para ganhar a eleição, não poderia deixar o Atlético transigir com seu direito de ter o controle repressivo à violência dentro da Baixada. Ao contrário, ao captá-las com o voto, aumentou a responsabilidade de fiscalizá-las, sob pena de fazer o Furacão ser sócio da violência de gangues. A natureza da violação às regras de comportamento dentro de um estádio é irrelevante, porque a responsabilidade é objetiva, independe de culpa: é do clube.

Já escrevo há anos: as torcidas organizadas não são constituídas por anjos. Já foram. O ideal dos torcedores, que faziam as belas e românticas tardes de domingo em Atletiba no “Belfort Duarte”, foi sufocado e substituído pelos músculos. Os torcedores morreram para surgirem os “Super heróis”, que com certeza não se inspiram nas lições sociais do Batman e do Superman. Entre nós, o exemplo clássico desse resultado é tirado do próprio Atlético: em pouco tempo, alguns desses “Super heróis” serão julgados pelo Tribunal do Juri por crime de homicídio.

Qualquer crítica à diretoria do Atlético para atingir Petraglia por esse ato é um escancarado oportunismo.

Princípio

Como na vida, no futebol há sempre que se procurar por um fato que divida as situações. O Paraná joga hoje com o Vasco, em São Januário. Pela lógica, o favoritismo e o poder do clube carioca, limitam a obrigação do Tricolor a ser um time normal. Mas bem que o Paraná poderia surpreender e sair com um grande resultado do Rio. Iria dividir a sua vida neste Brasileiro.

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