Escrever sobre amigos pode parecer difícil, mas não é.
É que por serem amigos, não existe risco do erro. Com tempo aprendemos a conhecê-los como a nós próprios: as virtudes, defeitos, intenções, projetos, capacidade, limites e tudo o que é inerente à personalidade.
Quero fazer uma homenagem ao empresário de futebol Luiz Alberto Martins de Oliveira Filho. Talvez, antes, fosse difícil em razão do meu interesse profissional, embora eu nunca tenha misturado as coisas.
Por uma circunstância de negócio alheio ao futebol, entrou no futebol em uma parceria com o Paraná. Com ele ao lado, primeiro manteve-se na primeira divisão, e depois alcançou aquilo que sua torcida apenas sonhava: classificar-se entre os primeiros do Brasil, e disputar a Libertadores da América. Com essa parceria, o Paraná não só teve sucesso técnico, como financeiro.
No entanto, o Paraná quis, sozinho, engordar o próprio gado, criou o seu fundo de investimento, rompeu a parceria e deu no que deu: para não cair para a terceira divisão, teve que contratar mais de quarenta jogadores e mudar cinco vezes de treinador.
Poderia até ser um sucesso por coincidência, se não fosse a seqüência do empresário no futebol. Foi para o Avaí, e lá como parceiro, concorreu diretamente na montagem da estrutura administrativa e técnica, que levou o time de Guga à primeira divisão, depois de 29 anos de ausência.
Foi ele quem fez Silas deixar a assistência de Zetti e se tornar técnico. Foi ele quem deu a vida profissional aos nossos conhecidos Batista (ex-Paraná), os meias Marquinhos e Juliano, e o atacante William (ex-Coritiba).
Quando os fatos ocorrerem em seqüência, deixam de ser coincidência: a queda do Paraná e a ascensão do Avaí não são meras coincidências. Seria um grande diretor de futebol por uma virtude que é rara entre os empresários: a lealdade com o parceiro, que às vezes, até lhe faz perder oportunidade de negócios. Entrega-se ao jogador com paternalismo, embora saiba o limite que é permitido pelo profissionalismo.
Ao Luiz Alberto, os meus respeitos.