Sublime campeão

Como se fosse bíblico, o que estava escrito se fez: o Atlético é campeão! Se for preciso, sem medo de pecar, ajoelho-me e juro por Deus. E não é um campeão qualquer. Indomável, foi batendo nos grandes: Londrina, Paraná, até chegar o grande momento: a final com o Coritiba. Deu um baile na Baixada por 3×0, e outro, ontem à tarde no Couto por 2×0. Podem passar os anos, pode passar o tempo, pode ser que todos da minha geração já tenham ido embora, que a história vai exclamar: “Furacão, campeão de 2016”. Um sublime campeão.

O futebol não permite que se despreze a sua antiga lição: em Atletiba, não existe acaso e nem milagres, ganha sempre o melhor. O Furacão, em tudo e por tudo, foi melhor. As diferenças de técnico e de jogador foram escandalosamente absurdas.

Neste jogo do Couto, que era mera formalidade, o campeão, exagerou. Jogou como se ele é quem precisasse ganhar. Bem projetado pelo técnico Paulo Autuori, jogou com alma e talento. E jogou como nunca a partir do gol perdido por Leandro, que provocou um massacre emocional nos coxas. Sejamos sinceros: quem precisa ganhar com diferença de três gols, não pode, no começo do jogo, perder o gol que Leandro perdeu. Não é que decidiria o jogo, mas o ordenaria de outra forma em razão das implicações emocionais.

E se não bastasse ser perfeito na ordem dada por Autuori, a partir da excelência do jogo de meio com Jadson e Otávio, o Furacão teve Walter voltando a viver. E vivendo intensamente, jogando como nunca, decidiu o jogo: caindo pelos lados, revezando-se com a molecagem de Ewandro, desmontou a zaga coritibana. Fez o primeiro, e de bandeja, deu o segundo para Ewandro marcar.

No final do primeiro tempo, já estava tudo consumado: os coxas já estavam entregues, esperando apenas pelo conforto, que era evitar uma goleada; e, o Furacão, já era campeão, esperando apenas pelas faixas.

Dedicatória

Dedico essa coluna ao treinador Paulo Autuori. Há anos, um treinador não fazia a torcida atleticana ter gosto de ver o Furacão jogar. Autuori não só organizou taticamente o time, como o fez jogar um futebol de surpreendente beleza para as suas limitações individuais. As suas digitais estão pregadas nesse Atlético campeão.

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