Em Vila Capanema, Atlético 2 x Goiás 0.
Já me vejo parado nas ruas pelos atleticanos a me perguntarem: ganhamos, mas o Goiás não é um time cheio de veteranos gordinhos? Nós torcedores somos assim, egoístas. Desprezamos o que é possível, e que já é o bastante para exigir o que não podemos ter.
De pronto, já que quero responder. O Atlético só teve virtudes no jogo de ontem: a começar pela sorte de não ter sofrido gol em uma das três chances escancaradas, que Tarta teve para o Goiás; depois, porque jogando com consciência das suas limitações, impôs um jogo coletivo e de velocidade com a certeza de que uma bola de Baier ou Everton chegaria a Marcelo ou Delatorre. Uma, a de Everton chegou, e o fraco Delatorre, que já havia perdido um gol, desta vez marcou.
Com Zezinho equilibrando o meio para proteger a zaga, o Atlético foi metódico no segundo tempo. Dava a metade do campo para o iludir o Goiás, mas ganhava a outra metade para o contra-ataque. O segundo gol era questão de tempo. Demorou um pouco, e quase no final, Ederson marcou. E como há muito não acontecia, a maior torcida do Paraná sorriu, cantou e devolveu a alegria nas ruas de Curitiba.
Everton foi o melhor em campo.
Sonhando
Sejamos simples e calmos: há vida no Coritiba sem Alex? Se há, não foi ao Mineirão. E, sem Alex, as coisas tiveram a realidade que devem ter: a invencibilidade coxa era alienada ao futebol do ídolo. Nunca a dependência a um craque foi tão flagrante como é a do Coritiba, de Alex.
O jogo do Mineirão (Cruzeiro 1×0) foi a representação viva desta verdade. Sonhe o torcedor coxa esse jogo nas mesmas circunstâncias, contra esse Cruzeiro de recursos estreitos, mas com Alex em campo. Vai se sentir que a diferença está ao seu lado. E seria natural, por ser fato de rotina, que ela prevalecesse para fazer o resultado. E, então, não há como duvidar nesse jogo imaginário, o Coritiba ganhando. Mas como no poema de Fernando Pessoa, “cada coisa é o que é”. E a coisa real é espantosa: sem Alex há apenas sobrevida.