Já era noite, tentava arrumar a algazarra de sentimentos, quando recebi uma mensagem do grande Alex: parabéns para a parte vermelha e preta da cidade. Bastou para ordenar-me em sossego. A explosão popular na noite de sábado não jogou para fora uma alegria contida, mas a humilhação, que o coração atleticano obrigou-se a carregar durante esse ano.

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É esse o estado de espirito correto do torcedor, que passou um ano sem ter time e sem ter campo para jogar. Os sentimentos em repouso, às vezes, ficam mais confortáveis do que a felicidade forjada pela obrigação e pelo dinheiro.

Dizem que a história não ganha jogo. Concordo, depende de quem é a história. O Atletico está de volta por que é Atlético. Não é qualquer história que resiste a tantos erros. Sua diretoria fez tudo contra os mais elementares princípios que comandam o futebol: sem nenhum planejamento, adotou a especulação como regra e o improviso como exceção, mudando quatro vezes de técnico e contratando mais de 30 jogadores em apenas sete meses. Foram tantos os erros, que o próprio Petraglia expressou publicamente o seu descrédito na volta e que “tinha jogado a toalha”. Menos ruim, por que o pessimismo petraglista está virando um amuleto para conquistas do clube. Foi assim em 2001.

O corolário dessa verdade foi o alcance do objetivo no fotochart, no caso, o número de vitórias, que fez às vezes da máquina fotográfica do turfe. Há uma prova objetiva, porém: o domínio a que se submeteu do maltratado Paraná, ao ponto de transformar o empate em última esperança. Foi a demonstração definitiva de que em um grande time só cabem Manoel, Cleberson, Deivid e João Paulo.

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Concordo que o importante foi voltar à Primeira Divisão. Mas aceitar esse consolo como argumento final é reduzir a grandeza do clube, acomodar obrigações, viver de fatos casuais.

Mas seria muito mais importante se esse fato fosse consequência de um planejamento e não do improviso. A partir de hoje, o Atlético, obrigatoriamente, tem que repensar o seu futebol, iniciar do zero, por que tem muito pouco e por que o desequilíbrio financeiro que a televisão causou exige muita inteligência para quem tem menos dinheiro jogar uma Primeira Divisão.

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